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Fusão da Duratex e Satipel forma maior empresa de painéis do hemisfério sul

O mercado empresarial brasileiro assistiu,  (22/06) ao anúncio de mais uma fusão em meio à crise mundial. A Duratex e a Satipel, fabricantes de painéis de madeira, comunicaram hoje que irão unificar suas atividades. Juntas, as duas empresas possuem receita anual da ordem de R$ 3 bilhões e formam a maior indústria de painéis do hemisfério sul e a oitava do mundo


O negócio ocorre no momento em que se espera um boom da construção civil no país. “O Brasil tem todas as condições de sair antes da crise. A inflação está sob controle, os juros estão caindo e há também o programa de habitação popular lançado pelo governo federal”, diz Henri Penchas, presidente-executivo da nova companhia. Tanto a Satipel quanto a Duratex estão atualmente ampliando sua capacidade produtiva.

A transação, negociada por três meses, tem como objetivo aumentar o escopo de atuação das empresas. “A união trará complementaridade em termos geográficos e de produtos”, diz Alfredo Villela, presidente da Itaúsa, controladora da Duratex.

Enquanto a Satipel, mais voltada para a indústria, possui fábricas em Taquari (RS) e Uberaba (MG), a Duratex, com foco maior no varejo, concentra sete de suas oito plantas no estado de São Paulo. A Duratex conta ainda com a divisão Deca, do setor de louças e metais sanitários, ramo com o qual a Satipel não trabalha.

As empresas também se destacam com produtos diferentes. A Satipel marca presença importante no mercado de MDP (Medium Density Particleboard), já a Duratex no de MDF (Médium Density Fiberboard). Com a fusão, elas deterão 50% dos dois mercados (MDP e MDF).

Juntas, as companhias terão capacidade para produzir quatro milhões de metros cúbicos anuais de painéis. A empresa resultante contará com sete fábricas de painéis localizadas em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Serão quatro linhas de MDF e três de MDP, além de linhas de chapa de fibra.

Quanto aos ganhos de sinergia com a operação, as empresas não têm ainda uma estimativa oficial. O primeiro passo nesse sentido será a criação de 14 grupos de trabalho que irão analisar área por área da companhia resultante.

Troca de ações
A transação será realizada através da incorporação da Duratex pela Satipel, com substituição das ações da primeira por 348,8 milhões de ações ordinárias a serem emitidas pela Santipel. A troca será feita na relação de 2,5 ações da Satipel por ação ordinária e preferencial da Duratex. No caso dos controladores, a relação sobe para 3,05. A expectativa é que a operação seja concretizada até meados de agosto, após a aprovação do negócio pelos órgãos competentes.

Os controladores dos dois grupos se comprometeram a não vender as ações da empresa resultante por um período de cinco anos e a manter ao menos 40% das ações da companhia no mercado.

Apesar de a Duratex possuir mais que dobro do faturamento da Satipel, optou-se pela incorporação da Duratex, e não o contrário. “Fizemos isso seguindo orientações jurídicas, para que a empresa resultante já nascesse no Novo Mercado”, afirma Penchas. Em 2008, a Duratex faturou R$ 2,5 bilhões, enquanto a Satipel registrou ganhos de 716 milhões.

Ainda assim, o poder maior da Duratex será marcante na união. A começar pelo nome da companhia, que será Duratex. “Temos apego à nossa história, não à nossa marca. Sabemos que comercialmente Duratex é uma marca mais forte”, diz Salo David Seibel, atual presidente da Satipel, e futuro presidente do Conselho de Administração da nova empresa.

O predomínio da Duratex também fica claro na composição do Conselho de Administração da empresa. Serão nove membros, dos quais quatro indicados pela Duratex, dois pela Satipel e três membros independentes.

 

Fonte: Portal Madeira Total (02/06/2010)



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