Exportação de madeiras pode ter o pior resultado em 4 anos
As estatísticas oficiais indicam que as exportações de produtos de madeira devem ter o pior resultado desde 2004.
Até outubro, os embarques somaram US$ 3 bilhões, 10% menos que no mesmo
período de 2007. Tudo indica, porém, que a retração ficará abaixo desse
percentual, já que nos últimos dois meses a queda vem sendo mais
acentuada. Em setembro foi de 19,6% e, em outubro, de 21%.
"Desde que estourou a crise, a mudança vem sendo muito rápida. O
mercado paralisou e o recuo nas exportações foi imediato", conta
Juliano Vieira de Araújo, vice-presidente da Associação Brasileira da
Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci). Não há neste
momento, uma estimativa de quanto esse cenário refletirá na produção de
madeira do ano que vem. "Mas, certamente, haverá recuo. Já estamos
tendo fechamento de fábricas", complementa Araújo.
A
retração das importações americanas ocorrem desde 2006, pelo menos.
Naquele ano todo, o Brasil exportou US$ 1,6 bilhão a esse país, volume
que caiu para US$ 1,2 bilhão em 2007 e que, até setembro deste ano
estava em US$ 654 milhões. Assim, a participação americana na receita
com exportação de madeira, que era de 42% em 2006, retraiu-se para 30%
em 2007 e, agora em 2008 está em patamares de 24%. "Em 2009 teremos um
ajuste no mercado. Muitas empresas devem fechar e outras, mais
capitalizadas para investir em tecnologia, vão crescer", analisa Araújo.
Para
Rubens Garlipp, superintendente da Sociedade Brasileira de Silvicultura
(SBS), o que tem grandes chances de acontecer é reduzirem os
investimentos em construção no Brasil e abalar também o mercado
doméstico de madeira.
De
acordo com a SBS, a produção de madeira no Brasil em 2007 foi de 156
milhões de metros cúbicos de madeira (tora) de origem de floresta
plantada e de 50 milhões de m3 de toras oriundas de madeira nativa. "As
exportações dão muito dinamismo à atividade. A receita bruta do setor
florestal (o que inclui carvão e celulose) é de US$ 37 bilhões, dos
quais US$ 8 bilhões vêm da exportação. Assim, a produção deve se
repetir em 2008, mas para 2009 não temos previsão", diz.
Carolina
Graça, gerente de marketing e vendas da Orsa Florestal, avalia que a
retração neste fim de ano também é reflexo de estoques altos no mercado
europeu que, até 2007, estava muito comprador. "Havia receio de faltar
madeira no Brasil por causa de problemas institucionais aqui, como
greves em órgãos ambientais e de desembaraço de mercadorias. O
resultado é que em 2008 os estoques já estavam altos", explica
Carolina. Assim, continua ela, a demanda já começou o ano fraca, o que
foi reforçado com o estouro dessa crise.
O
resultado, segundo ela, é uma forte pressão de baixa nos preços. Eles
já vinham recuando desde 2007, mas há tendência de recuar mais. "De uma
forma geral, há uma queda de braço entre comprador e vendedor. Os
importadores querem descontos, geralmente na proporção da valorização
do dólar".
As
dificuldades de exportação do setor estão presentes há, pelo menos,
três anos, com a desvalorização da moeda americana. O Brasil acabou
perdendo um pouco de mercado com a concorrência da China, que passou a
ter mais vantagem, com a condição cambial brasileira. "Mas o que
acontecia, é que o mercado interno de construção estava muito aquecido,
compensando o início da retração", explica Garlipp.
Fonte: Global 21







