A encruzilhada do exportador
No setor moveleiro, por exemplo, a desvalorização do dólar, que provocou o corte de 30% no número de empregos, joga as empresas na disputa pelo mercado interno.
O dólar baixo, a retração do mercado internacional e a falta de compradores no país para absorver toda a produção põem o exportador de SC contra a parede. A crise já custou 7,8 mil empregos e US$ 1,8 bilhão em negócios
Os exportadores catarinenses estão diante de uma encruzilhada. As vendas despencaram no mercado externo este ano e não há perspectiva de melhora no câmbio. O dólar continua em queda e a demanda internacional, em lenta recuperação. E o mercado doméstico não tem como absorver todo o excedente da produção antes destinada às exportações.
Dados da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) apontam para uma queda de 27,15% nas exportações de janeiro a setembro de 2009. Dos 12.964 postos de trabalho fechados pela indústria catarinense entre outubro de 2008, no auge da crise internacional, e setembro de 2009, 7.804, ou 60%, foram registradas nas 40 maiores empresas exportadoras do Estado.
– Como Santa Catarina não tem um mercado consumidor muito grande, a nossa indústria se voltou para as exportações. Sempre que caem as vendas externas ou o câmbio, o setor se ressente – diz o diretor de Relações Industriais da Fiesc, Henry Quaresma.
Do PIB estimado de Santa Catarina, de US$ 64,5 bilhões em 2008, US$ 22,19 bilhões são provenientes da indústria e R$ 16 bilhões do comércio internacional (25% do total de Santa Catarina).
Quaresma explica que o dólar valorizado maquiava os problemas estruturais do país, elevando a competitividade dos exportadores. Ou seja, o custo do produto ficava menor graças à conversão do preço para dólar. Quando o câmbio caiu, descortinou entraves como a infraestrutura precária, os juros altos e a alta carga tributária. O governo federal bem que tentou intervir na sangria do dólar, taxando em 2% de IOF a entrada de capital estrangeiro. Mas a medida se mostrou ineficaz e a entrada de dólares no país continuou, derrubando a sua cotação.
O vice-presidente da Fiesc para o Planalto Norte, Arnaldo Huebl, diretor da Móveis Weihermann, explica que a região, tradicional polo moveleiro do Estado, está reduzindo sua produção industrial em patamares de 7% a 10% ao ano desde 2006, quando os problemas do setor começaram a se agravar.
– Uma das alternativas para sair desta encruzilhada foi buscar o mercado interno. Quem consegue disputar este espaço está sobrevivendo. Mas nem todo mundo está conseguindo. Por isso, muitas empresas fecharam suas portas – lamenta.
As alternativas se mostram ineficazes
Grande parte das empresas está tentando reduzir o percentual destinado às exportações, de 50% a 60%, para metas bem mais modestas, o que acaba direcionando a produção para o mercado interno. Quaresma explica que algumas empresas buscam inovação e novos mercados. Mas alerta que o Estado está exatamente na fase da mudança.
– No final do ano, o consumo interno aumenta e dá um alento para a indústria. Mas como não há como absorver tudo no mercado nacional, nossa indústria está operando com capacidade ociosa maior – afirma.
A capacidade instalada da indústria catarinense, nos primeiros nove meses de 2008, foi de 84,82%. No mesmo período deste ano, a capacidade utilizada caiu para 80,88%. Ou seja, a indústria está ocupando menos os seus parques fabris, numa queda de 3,44 pontos percentuais porque só produzindo menos é possível equilibrar as perdas.
O presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa, enumera algumas tentativas da indústria para superar a queda nas vendas para o mercado externo. Buscar vender no mercado doméstico está entre elas, mas apenas com a mudança dos produtos, inovação e criatividade é possível disputar espaço com quem já está consolidado nesta fatia de mercado.
– A reestruturação interna foi uma saída encontrada, por isso, as demissões no setor. Mas também temos empresas que estão buscando se impor no mercado externo, aumento os preços dos seus produtos em dólar.
Vender em euro ou por meio de uma cesta de moedas é outra opção para fugir da desvalorização do dólar e conseguir elevar a competitividade dos produtos catarinenses e fazer o Estado voltar ao jogo internacional.
Fonte: www.clicrbs.com.br/diariocatarinense








