A Produtividade da Indústria em 2008 e os Efeitos da Crise
O crescimento positivo da produtividade em 2008, de 1,2%, repetiu o comportamento que se observa desde 2004, quando a expansão da produtividade passou a ser o resultado do crescimento positivo da produção física, das horas pagas e do emprego.
Observando a trajetória do crescimento dentro do ano, contudo, o comportamento da produtividade no último trimestre, refletindo os efeitos internos da crise internacional, registrou queda de 6,4%, acompanhando a retração de 6,6% na produção industrial.
A abrupta queda na produção industrial no último trimestre do ano está associada à crise de confiança que se espalhou na economia. Esse novo cenário macroeconômico traz consequências graves para o futuro desempenho da produtividade industrial, na medida em que a sustentação desta depende de contínuo investimento produtivo, atividade que fica comprometida em ambiente de elevada incerteza e de elevada preferência pela liquidez.
Como os impactos da crise econômica internacional só se manifestaram de forma generalizada na indústria a partir do 4º trimestre do ano, o emprego industrial manteve no acumulado do ano praticamente a mesma taxa de crescimento do ano anterior (2,1%), e registrou estabilidade no último trimestre.
No ano, a remuneração média da mão de obra em termos reais apresentou aumento acima da produtividade, o que pode indicar ter ocorrido aumento no custo unitário do salário. No último trimestre do ano, observou-se pequena queda na remuneração média real, sinalizando que o quadro para o emprego industrial em 2009 será mais difícil. Em termos dos ramos industriais, nota-se que, em 13 setores, a variação real da remuneração média ficou acima da variação na produtividade, indicando, portanto, ter havido repasse dos ganhos da produtividade aos salários
Em termos da produtividade, um número menor de setores (9), em relação a 2007 (14), apresentou expansão. Dentre eles, apenas 4 registraram aumento conjunto na produção física e nas horas pagas e emprego. Foram eles: Fabricação de Meios de Transporte, Minerais Não-Metálicos, Papel e Gráfica e Borracha e Plástico. Em sete setores onde se registrou queda na produtividade – Coque, Refino de petróleo, Combustíveis Nucleares e Álcool, Metalurgia Básica, Máquinas e Equipamentos, Produtos de Metal, Produtos Químicos, Indústrias Extrativas e Alimentos e Bebidas – o resultado foi obtido com expansão na produção, horas pagas e emprego.
A produtividade teve evolução positiva no recorte regional na maioria dos locais. As maiores taxas foram as das indústrias do Paraná (7,2%), Espírito Santo (6,6%) e Pernambuco (6,4%), todas com marcas muito acima da média nacional (1,2%). Bahia (–1,0%) e Minas Gerais (–2,9%) foram os únicos parques industriais com queda de produtividade. São Paulo (2,4%) e Rio Grande do Sul (1,9%) tiveram desempenho um pouco superior à média nacional. Já em Ceará (0,5%), Santa Catarina (0,3%) e Rio de Janeiro (0,1%) o crescimento da produtividade foi próximo a estabilidade.
De modo geral, os locais pesquisados alcançaram índices inferiores aos de 2007. Esse comportamento só não se verificou no Paraná – que obteve taxa de 3,1% em 2007 – e Pernambuco que registrou 6,4% em 2008 contra 4,7% em 2007. Cabe destacar ainda que as taxas obtidas pela indústria do Paraná e Pernambuco foram as maiores para esses locais desde 2002, quando se inicia a atual série. Ambos os locais, desde 2006, vêm registrando crescentes aumentos de produtividade.
O desempenho da produtividade no nível regional no último trimestre foi muito influenciado pelo impacto da crise internacional, que fez com que todos os locais, menos Pernambuco, apresentassem variações negativas, contrastando com o resultado positivo alcançado no acumulado até setembro. Algumas taxas negativas no último trimestre foram muito expressivas, como foi o caso de Espírito Santo (–18,7%) e Minas Gerais (–15,8%). A contração da produtividade no último trimestre foi fruto da forte queda da produção física, que não foi acompanhada, na mesma proporção, pela diminuição das horas pagas, que segue a evolução do pessoal ocupado. No quarto trimestre, apenas na indústria do Paraná (0,7%) não se registrou queda de produção física.
Fonte: www.iedi.org.br








