Abilio (Pão de açúcar) e família Klein (Casas Bahia) acertam trégua até 6ª-feira
Donos da Casas Bahia se comprometem a não tomar decisões radicais; para eles, empresa foi subavaliada em R$ 2 bilhões
Numa reunião encerrada na noite de segunda-feira (12/04), os controladores das Casas Bahia e do Pão de Açúcar fizeram um acordo de cavalheiros e concordaram em dar uma trégua, numa tentativa de superar os impasses que colocaram em risco a fusão das duas companhias.
Samuel e Michael Klein, das Casas Bahia, e Abilio Diniz, do Pão de Açúcar, assumiram "o compromisso moral de continuar conversando até sexta-feira (16/04) e não tomar nenhuma decisão radical", disse uma fonte próxima das negociações.
O pedido de trégua está relacionado à viagem de Abilio Diniz a Paris, para a reunião – que já estava agendada – do conselho de administração do Casino, sócio da família Diniz no Pão de Açúcar. O empresário deve retornar até a quinta-feira.
O principal conflito entre os dois grupos gira em torno da avaliação que o Pão de Açúcar fez das Casas Bahia. A família Klein entende que seu negócio está subavaliado em pelo menos R$ 2 bilhões e quer rever essa cifra. Em dezembro do ano passado, quando o acerto foi feito, a rede de varejo foi avaliada em R$ 6 bilhões.
Além do preço, os Klein querem rever a estrutura de comando, a governança da nova empresa e a venda antecipada de parte das ações em poder da família.
O acordo assinado vem sendo discutido há mais de um mês. Diante da resistência do Pão de Açúcar, no último fim de semana a família Klein resolveu endurecer e falou em desistir do negócio. Seus advogados vêm discutindo formas jurídicas para cancelar a fusão.
Uma das alternativas estudadas é recorrer a uma câmara de arbitragem. Na visão dos envolvidos, a arbitragem é um caminho mais rápido que recorrer à Justiça comum. Outra opção em avaliação é rescindir o contrato e arcar com uma eventual multa.
Depois do encontro entre os controladores dos dois grupos, o Pão de Açúcar publicou um fato relevante no qual confirma que as Casas Bahia querem rever o acordo, afirma que considera "o acordo válido e perfeitamente eficaz" e diz que vai continuar em discussões "com vistas a um entendimento".
De acordo com pessoas ligadas aos Klein, o acordo fechado no ano passado tem as características de um compromisso de compra e venda, com vários pontos em aberto que deveriam ser definidos nos meses seguintes. Ele exigiria uma série de contratos complementares, que ainda não foram preparados.
Ações em queda
A indefinição quanto aos rumos do negócio teve reflexos nas ações do Pão de Açúcar. Na terça-feira, os papéis da companhia apresentaram queda de 4,98%. Foi a empresa do Índice Bovespa que mais se desvalorizou no dia. Em relatório a clientes, a analista Juliana Campos, da corretora Ativa, disse que, caso a associação não seja concretizada, o preço-alvo para dezembro de 2010 sofreria uma queda de 11%, de R$ 83,45 por ação para R$ 69,19 por ação. "Em face da incerteza, estamos adotando como cenário a não efetivação do acordo, reduzindo nossa recomendação para o Pão de Açúcar de ‘compra’ para ‘neutra’ e retirando o papel da nossa carteira até que novas informações sejam divulgadas", afirmou o documento da Ativa.
Para o analista do setor de consumo da Planner, Pérsio Nogueira, enquanto houver dúvidas em relação à concretização do negócio, as ações do Pão de Açúcar podem sofrer uma desvalorização entre 5% a 10% em comparação com o valor que vinha sendo negociado antes do anúncio da revisão dos termos da associação.
Segundo o analista da SLW, Cauê Pinheiro, o mercado já tinha precificado os ganhos de sinergias para o Pão de Açúcar com as Casas Bahia. "Caso o negócio não aconteça, o mercado vai devolver os ganhos dos papéis nos últimos meses", disse. Entre o anúncio de junção das duas redes varejistas e as notícias quanto à revisão do acordo, as ações do Pão de Açúcar apresentaram crescimento de 11%.
Fonte: http://economia.estadao.com.br - 14/04/2010








