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Abimóvel pede crédito para mobiliar casa

A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) pretende retomar nas próximas semanas a negociação com o governo federal de uma linha de financiamento com custo mais baixo para aquisição de móveis.

A medida, que serviria para ativar as vendas do setor no País, supriria a demanda de consumidores que precisarão mobiliar em 2009 residências compradas no boom da construção civil dos últimos dois anos, principalmente de 2008. O presidente da Abimóvel, José Luiz Diaz Fernandez, cobra do governo o mesmo tratamento adotado para o ramo de materiais de construção, que já teria crédito especial, para os moveleiros.


"Ninguém muda para um novo apartamento sem precisar de armários e cozinha novos", provocou o dirigente, lembrando que a reivindicação da modalidade de financiamento foi apresentada nos últimos anos a órgãos federais, sem sucesso.


A entidade pretende agendar reunião com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para discutir a proposta de financiamento para o mobiliário. As ações devem incluir ainda um pedido para que se amplie a oferta de crédito para capital de giro.


O dirigente alertou que as linhas existentes, como o Revitaliza, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), vinculam este tipo de empréstimo a captações de valores para investimento, cuja demanda está em baixa. "O foco agora é recursos para mover a produção", justificou.


A inclusão de mais produtos na redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de 10% para 5%, também melhoraria a situação das empresas. Fernandez citou que ficaram de fora do corte móveis de metal e estofados.


O presidente da Abimóvel qualificou o momento "como preocupante e até assustador". O setor fechou 2008 com queda forte em pedidos. A produção caiu 13% em novembro, auge da crise, no confronto com o mesmo mês de 2007. O ano deve confirmar crescimento de 5% a 7% no mercado interno. O patamar é assegurado pelo indicador de vendas de eletrodomésticos, que inclui móveis. De dezembro de 2007 a novembro de 2008, as vendas cresceram 12,4%.


O emprego no ramo moveleiro no País recuou 7,2% entre janeiro e novembro. A queda em 12 meses chega a 9,9%. Para ele, o primeiro quadrimestre será crucial para medir impacto da queda dos juros e eventuais medidas do governo para frear o desemprego. A indústria moveleira está entre as que mais demite. No Estado, o ano passado terminou com mais de 1,2 mil dispensas. "Apostamos na reversão de perdas somente no segundo semestre."


A balança externa de 2008 registrou queda de 1,7% nas exportações, somando US$ 988,045 milhões ante US$ 1,005 bilhão de 2007, efeito do câmbio depreciado na maior parte do ano e da desaceleração da demanda internacional no último trimestre. Foi um banho de água fria, pois a Abimóvel havia projetado 3% a 5% de alta no ano. "Foram US$ 40 milhões a menos", contabilizou o dirigente. O Estado gaúcho, segundo em vendas externas, teve saldo quase estável, com alta de 0,1%, somando US$ 289,3 milhões. Santa Catarina, líder no setor moveleiro, amargou uma queda de 12% no faturamento.


O desempenho das exportações da indústria moveleira do País teve uma ligação direta com a compressão dos pedidos dos norte-americanos, os maiores clientes, que recuaram 35,1% nas compras. A Argentina, que ocupa hoje a segunda posição nas importações, registrou uma expansão de 38,2%.

Ante o desaquecimento externo, o dirigente da Abimóvel lembrou que as indústrias optaram por deslocar parte da produção destinada ao exterior para o mercado doméstico. Com isso, o faturamento do setor acabou por registrar queda ante a maior oferta local.


A busca do mercado internacional em 2009 deve ser oficialmente aberta com a presença de empresas brasileiras em uma feira em Las Vegas, nos Estados Unidos, entre os dias 9 e 13 de fevereiro. "Será o primeiro teste da situação do mercado americano pós-crise", projeta Fernandez.
Segundo o dirigente, as indústrias com tradição em comércio externo estão revendo a composição de preços para disputar clientes. "Compradores estão pressionando por descontos", informou.

A indefinição sobre o patamar da cotação da moeda norte-americana, que para a entidade deveria se situar entre R$ 2,10 e R$ 2,20, atrapalha os negócios do setor moveleiro. Para Fernandez, a oscilação do dólar, enquanto aumenta a competitividade brasileira, encarece as matérias-primas importadas.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br

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