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Abimóvel prepara defesa contra processo anti-dumping - 30/5/2006

A informação é oficiosa e chegou à entidade por meio do escritório Pinheiro Neto.

A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) realiza hoje (30 de maio), em Bento Gonçalves (RS), reunião para discutir um plano de defesa contra um iminente processo de anti-dumping da Argentina, contra exportações de móveis do Brasil. A ação se concentraria em armários e roupeiros de duas a seis portas, e envolveria quase duas dezenas de fabricantes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O superintendente executivo da Abimóvel, Miguel Sanchez Júnior, estará presente acompanhado de advogados do escritório Pinheiro Neto Advogados, de São Paulo, contratado para tratar do caso.

Sanchez diz que a informação é oficiosa, mas que ela chegou à entidade por meio de representantes do escritório Pinheiro Neto. "Temos confirmado apenas que a iniciativa é de uma empresa argentina, que está em vias de protocolar a queixa", afirmou Sanchez Júnior. No seu entender, a causa mais provável para a diferença de preço de produtos dos dois países está no forte nível de competitividade do móvel brasileiro. "A indústria argentina não evoluiu como a nossa e por isso o fabricante local não consegue competir", avalia.

O presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Luiz Attílio Troés, confirma que nos últimos anos o setor investiu em tecnologia o que contribuiu para reduzir custos. "É preciso levar em conta que nós temos alguns incentivos tributários na hora de exportar, como ICMS e IPI. Tudo Isso somado ajuda melhorar a nossa competitividade, sem dúvida", esclarece Troés, fazendo questão de ressaltar que estas condições se aplicam às exportações para qualquer lugar, não só para a Argentina.

Nem o representante da Abimóvel, nem o dirigente gaúcho quiseram abrir a relação das empresas citadas na suposta prática de dumping. Questionado a respeito, o diretor da Móveis Gaudêncio Ltda., de Restinga Seca, região central do Estado, João Baptista da Costa, se diz tranqüilo com relação aos negócios com o vizinho país. "Até agora não estou entendendo nada, mas tenho tudo aqui para provar que estamos fazendo a coisa certa", assegurou o empresário.

A Gaudêncio exporta dormitórios, racks e estantes produzidas com chapas aglomeradas desde 1978 para a Argentina, sendo que em 2000, os embarques representavam 40% das exportações. Hoje este percentual caiu para 10%. "Antes eu mandava 80 carretas por mês, agora são em torno de dez", informa João Baptista, lamentando o que está acontecendo.

(Gazeta Mercantil)

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