Análise Econômica e Tendências de Varejo
O fechamento do primeiro quadrimestre de 2010 se aproxima e nossa visão precisa considerar um período maior, à frente, para traçarmos nossas estratégias em médio e longo prazo. Não estamos apenas diante de um novo ano, mas sim o descortinar de toda uma nova década com desafios, promessas, esperanças e oportunidades que já começam a serem lançados a nossa frente.
Não pretendemos aqui analisar os números otimistas tratados a exaustão nos últimos meses, mas propor uma reflexão lógica do que poderá vir a serem os próximos anos.
Estamos mais uma vez em ano eleitoral, certamente este será o ponto mais presente nas discussões econômicas. Voltaremos a discutir modelos, privatizações, tamanho e papel do Estado na economia, impostos, outros temas já tantas vezes esmiuçados. Cabe ressaltar, no entanto, que independente do candidato ou candidata que vença as eleições, terá certamente muito pouca possibilidade de mudança em quaisquer regras do jogo. Nosso país adquiriu ao longo das últimas gestões maturidade e aprendizado econômico e político (e isso foi uma conquista da democracia pós governos militares), que embora ainda possamos entender que ainda há muito a evoluir e que merecemos mais dos nossos administradores, que estabilidade econômica e atitudes milagrosas, mudanças radicais ancoradas em desmedido populismo não funcionam. Cabe ressaltar que de Sarney até Lula, enfrentamos moratória, confisco, congelamentos de preço, uso de divisas para pagamento de dívidas, juros exorbitantes, choques heterodoxos, toda forma de remédio para conter inflação ou estimular a economia para trazer o crescimento desejado. O importante é que mesmo das mais insanas medidas, houve um acumulo de aprendizado que possibilitou chegarmos ao que somos hoje. O consumidor que anos atrás recebia seu salário e corria para os supermercados abastecer a dispensa para sofrer menos com as constantes remarcações de preços, que impossibilitavam -no de ter percepção de preço, hoje, além de aumentar sua freqüência de compras nas lojas, ainda é quem define o preço de venda e força varejistas a serem cada vez mais eficientes operacionalmente e conquistar cada vez melhores negociações para garantir a competitividade necessária para permanecer em um segmento com margens tão reduzidas. Conquistamos certa estabilidade, uma inflação ainda alta, quando comparada a países desenvolvidos, mas controlada, juros altos, mas estáveis, um sistema bancário que se mostrou confiável, agências reguladoras que controlam os serviços essenciais com credibilidade, crença dos investidores quanto ao cumprimento de contratos, uma sensível e crescente melhoria do poder de compra e confiança dos consumidores. Todo este cenário não foi obra do governo recente de Lula, mas sim, reforçamos conquistas que foram sendo aperfeiçoadas ao longo das últimas gestões.
O mais importante disso tudo, é que pela primeira vez teremos um governante empossado que receberá o mandato, num cenário de estabilidade econômica e política. Devido à semelhança dos principais candidatos e suas propostas, não será difícil formar as alianças que darão sustentação ao próximo governo. Não temos nenhuma grande crise se formando no horizonte e temos uma sólida tendência de crescimento do PIB nos próximos anos. Este cenário é tudo aquilo que sempre se almejou para que algumas importantes mudanças, que possam definitivamente mudar o perfil do nosso país venham a ser implementadas.
Uma redução da carga tributária parece ser o próximo passo dentro desta lenta, mas consistente onda de sensatez. Todos reclamamos a muito tempo dos altos impostos. Recentemente as medidas de apoio para o estímulo da economia, provocaram uma reação de consumo em muitas indústrias importantes como a automotiva, a linha branca ou a moveleira. Provou-se não se quebra o país e pode-se produzir mais, vender mais e gerar mais empregos e riquezas. O governo já deu alguma mostra desta intenção, quando acabou com o incentivo da indústria moveleira, mas reduziu à metade a alíquota definitiva. Mais uma vez, ressaltamos que hoje já é possível uma redução mais abrangente, devido a uma melhoria na qualidade da fiscalização, de maior rigor a sonegação, ao próprio aumento de arrecadação reflexo do aumento da produção do país.
Uma economia eficiente é também uma economia com menos burocracia, com mais velocidade, com custos menores. Partimos para a era dos negócios sustentáveis, onde todo desperdício, seja de recursos naturais, energia ou que causem danos ao futuro do planeta e das pessoas não irá prosperar. Esse é um argumento que já faz parte das empresas e governos do mundo todo. Esse será um forte argumento a impulsionar mudanças na nossa forma de tomar decisões daqui para frente, e que certamente forçará discussões na nossa forma de gestão pública, passando também pelas questões da ética e da transparência, não esquecendo que o custo do Estado e a redução da nossa dívida pública, também passam por este caminho.
Assim como a interminável reforma na previdência já que a população brasileira está envelhecendo a uma velocidade pouco vista em outros países já amadurecidos. A expectativa de vida passou em menos de 70 anos de 45,5 anos para 72,8 anos segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início de dezembro de 2009; em 2050, ao nascer a expectativa será de 81,3 anos. Precisamos adaptar nossos modelos para atender a essa demanda de mercado e suas necessidades específicas.
Esse movimento já está acontecendo, como exemplo a regulamentação de vagas para idosos, portais, cursos, agências de viagens, lojas e produtos especializados na terceira idade.
Esse envelhecimento populacional está diretamente ligado à redução da taxa de fecundidade no Brasil, que segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE poderá chegar a 1,8 filho por mulher, em 1991 eram 2,85. Contribuindo para este resultado, cresce o número de casais que optaram por não ter filhos. Essas famílias menores têm hábitos de consumo relacionados à comodidade e praticidade. As indústrias tem lançado constantemente novas opções de tamanhos de embalagens e produtos prontos ou semi-prontos para atender a essa demanda.
E por falar nas indústrias, a onda de fusões e aquisições tem impacto direto em nossos negócios, pois é preciso observar essas movimentações, de olho nas novas estratégias das marcas adquiridas e não perder volume, por exemplo, na mudança de foco no canal de distribuição. No varejo temos visto essas uniões em grandes redes varejistas, em cadeias regionais e em pequenos e micro empresários através de centrais de negócios.
Nesse cenário, um dos maiores desafios é capacitar e reter profissionais, para que o segmento varejista, importante parte do motor da economia, continue respondendo rapidamente e adaptando seus modelos de negócios às realidades que teremos pela frente. Parte desse futuro que já está a nossa porta, sempre foi desejado por todos nós em um mundo que embora visto com otimismo, não pudesse deixar de ter aquela pontinha de impressão de que nunca chegaria. Vamos nos preparar para uma vez mais, participar ativamente, cobrando, oferecendo soluções e propostas para aproveitar estes momentos. O Brasil será sem sombra de dúvidas uma das estrelas da próxima década, não é a toa que existem especialistas que afirmam que BRIC, começa com B de Brasil, ao se referirem as economias dos países emergentes com maiores possibilidades de crescimento.
Por: Mauricio Bendixen e Cibele Regis de Paula
Fonte: http://www.administradores.com.br/ (10/06/2010)








