Análise: Risco-Brasil cai a 206 pontos-base
Expectativa pela divulgação esta semana de importantes indicadores sobre a economia americana, capazes de definir os rumos da política monetária do Federal Reserve (Fed), contribuiu ontem para a redução da liquidez dos vários mercados, mas não impediu um comportamento no geral positivo, estimulado pelo cessar-fogo no Líbano.
"Os grandes fundos internacionais persistiram ampliando as compras de bônus da dívida externa brasileira, a despeito da má vontade das agências internacionais de rating, cujos diretores exigem mais crescimento e reformas para melhorar a classificação brasileira. A maior parte dos negócios fechados à tarde incorporou risco-país de 204 pontos-base, novo piso histórico. No fechamento, o risco Brasil registrou 206 pontos-base, em queda de 1,44% em relação aos 209 pontos-base de sexta-feira.
O panorama de desempenhos otimistas em meio a reduzidos volumes de negócios também foi visto em outros segmentos. O dólar comercial fechou em baixa de 0,18%, cotado a R$ 2,1620, com movimento no interbancário que não superou a US$ 1,5 bilhão. O Banco Central (BC) continuou se recusando, em seu leilão diário de compra de moeda, a enxugar todo o fluxo externo de recursos. Apesar de os bancos terem formulado 21 propostas, o BC aceitou apenas três e pelo preço considerado o piso cambial informal, de R$ 2,16.
O mercado monetário não se sensibilizou com a revisão para baixo da projeção de crescimento do PIB este ano pelo Boletim Focus. As instituições acreditam agora que a economia crescerá apenas 3,55% em 2006, ante expectativa de 3,6% na semana anterior. Vai ficando cada vez mais improvável o cumprimento da meta oficial de expansão de 4%. A redução do ritmo de crescimento exigiria do BC um desaperto monetário mais efetivo. Mas o mercado, amparado pela última ata do Copom, prevê justamente o contrário, uma parcimônia ainda maior na redução da taxa. O contrato para a virada de setembro ficou estável em 14,46%, projetando Selic de 14,50% no final do mês. O CDI para janeiro cedeu 0,01 ponto, a 14,36%.
Em termos de tendências mais firmes para os mercados, a semana começará efetivamente só hoje. O economista-chefe da Grau Gestão de Ativos, Pedro Paulo Silveira, lembra que o Fed condicionou a necessidade de novas altas dos juros a dois fatores: a uma elevada utilização da capacidade instalada das indústrias e a um alto nível de preços das matérias-primas e energia. E são justamente esses itens que terão dados divulgados na semana. Hoje sai o índice de preços no atacado (PPI) e amanhã o relativo ao varejo (CPI), ambos referentes a julho.
O dado importante para o mercado imobiliário é o de início de construção de imóveis, na quarta-feira. Também amanhã serão divulgados a produção industrial e o índice de utilização de capacidade instalada da indústria. As bolsas continuarão com nível elevado de oscilação sem que seja definida uma tendência a não ser que alguns desses dados surpreendam, para o otimismo ou para o pessimismo. "
Fonte: Valor Econômico / http://www.valoronline.com.br/valoronline/Geral/financas/160/Analise+Risco-Brasil+cai+a+206+pontos-base,,,160,3844730.html
Autor: Luiz Sérgio Guimarães
Data:15/08/2006








