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Após longa sessão, Senado aprova mínimo de R$ 545,00

Com mais de seis horas e meia de debate no Senado, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 1/11, que reajusta o salário-mínimo para R$ 545,00 e estabelece a política de valorização do piso para o período de 2012 e 2015, foi aprovado.

As emendas ao projeto, apresentadas pela oposição, que estabeleciam um valor maior para o mínimo, de R$ 560,00 e de R$ 600,00, e uma terceira emenda que exclui o artigo do projeto que autoriza o reajuste do mínimo por decreto para os próximos anos também foram rejeitadas em plenário. O valor de R$ 545,00 passa a vigorar a partir do dia 1 de março - depois da sanção do projeto pela presidente Dilma Rousseff.

A votação do projeto foi simbólica, sem o registro dos votos de cada senador no plenário. As emendas tiveram votação nominal, com cada parlamentar registrando o seu voto - o que permite ao governo calcular as dissidências dentro da base aliada da presidente Dilma Rousseff.

Para assegurar espaço no loteamento dos cargos, os partidos da base aliada fizeram grande esforço para mostrar alta taxa de fidelidade na votação. O exemplo da votação da bancada do PMDB na Câmara, que fechou 100% com o governo, serviu de parâmetro, o que facilitou muito a vida do governo. Apesar do jogo pesado do Planalto, os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Roberto Requião (PR) votaram contra o governo. Da base, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) também entrou na conta dos dissidentes. Mesmo assim, houve um esforço do Planalto para monitorar os 62 votos da base durante todo o dia.

Até mesmo a presidente Dilma Rousseff entrou nas negociações para mudar o voto do senador Paulo Paim (PT-RS). Depois de uma conversa de quase uma hora e um apelo pela unidade, Paim mudou de posição e anunciou que votaria pelo mínimo de R$ 545,00, alegando estar apoiando uma regra de política salarial de longo prazo. "Para nós é muito importante a sua posição. Você sabe que o seu voto tem um valor simbólico pela luta histórica do salário mínimo. Para nós é importante estarmos todos juntos", disse Dilma para Paim, segundo relato do próprio senador.

Com isso, a bancada do PT conseguiu fechar os 15 votos em favor da proposta do governo. Paulo Paim contou ainda que até mesmo o senador Pedro Simon (PMDB-RS) o havia aconselhado a dar um voto de confiança à presidente Dilma e que votaria com ele no plenário. Era um sinal de que a pressão palaciana por unidade na base havia surtido efeito. Simon estava na contabilidade do Planalto como um voto incerto.

Representantes de centrais sindicais ocuparam as galerias do Plenário do Senado em mais uma tentativa de impedir a aprovação do projeto. Os representantes, a maioria membros da Força Sindical e da Conlutas, defendiam o valor de R$ 560,00.

Fonte: Jornal do Comércio - RS (24/02/2011)

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