As previsões dos setores para o emprego em 2007
Mesmo que alguns setores estejam sofrendo com o dólar fraco, tanto o varejo como a indústria prevêem novas contratações, ainda que de forma não tão forte.
Setores como os de vestuário e móveis mostram desânimo para 2007, enquanto outros, como construção civil e informática, apostam no mercado interno e em incentivos do governo.
"Você tem aumento de massa salarial, inflação baixa e crédito alto. Vários setores vão empregar no varejo, porque vão vender mais", disse João Carlos Gomes, economista da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ).
A indústria, depois de um segundo trimestre tido o fundo do poço, ensaia uma recuperação neste fim de ano.
"As previsões da indústria para o emprego em 2007 são melhores do que eram para este ano, mas piores do que eram em 2004, quando a economia cresceu muito", afirmou Aloisio Campelo, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Veja abaixo alguns dos principais setores da economia e suas perspectivas para o emprego em 2007.
Têxtil
O setor teve um 2006 difícil, devido ao câmbio. Houve uma perda de 7,8 por cento de empregos no setor no país, de um total de 1,3 milhão de funcionários, segundo o Sindicato das Indústrias de Vestuário de São Paulo.
"A previsão para 2007 é de não melhora. O consumo de vestuário no Brasil vem subindo, de 5,8 bilhões de peças em 2005 para 6 bilhões em 2006, mas parte dele é atendido pelo exterior", disse Pedro Fortes, superintendente do sindicato, acrescentando esperar um ligeiro movimento de contratação em 2007, mas não suficiente para reverter a queda de 2006.
Indústria elétrica e eletrônica
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) prevê que o emprego direto e formal no setor crescerá 7 por cento em 2007, para 153 mil postos.
Em 2006, ao alcançar 143 mil pessoas empregadas, o segmento resgatou o patamar de 1998 em termos de ocupação, mas segue abaixo dos 260 mil contratados de 1990.
Os 10 mil novos empregos que a Abinee espera para 2007 repetem o crescimento das vagas entre 2005 e 2006, ano em que o setor gerou 30 mil empregos indiretos.
Dentro dessa indústria, o segmento de informática deve puxar o emprego, após as medidas do governo de desoneração tributária e combate à pirataria. Informática é o setor com maior projeção de crescimento do faturamento em 2007 entre as empresas representadas pela Abinee: 23 por cento.
Supermercados
Puxado pelas grandes redes supermercadistas - Wal-Mart, Carrefour e Extra e Pão de Açúcar - o emprego no setor deve crescer em ritmo maior que o dos dois últimos anos.
João Carlos de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), prevê a criação de 30 mil postos em 2007, contra 24 mil vagas geradas neste ano.
"As grandes redes passaram a ocupar espaço onde não estavam, principalmente nas capitais do Nordeste", o que aumenta a demanda por funcionários, disse ele, acrescentando que o setor emprega cerca de 825 mil pessoas.
Construção civil
Segundo sondagem da FGV, o saldo entre empresas que pretendem contratar e demitir em 2007 ficou positivo em 5 pontos percentuais, depois de apontar demissões para 2006.
"Isso reflete o bom momento do setor, com crédito farto e o pacote do governo, lançado neste ano", disse Campelo, da FVG.
Para Sérgio Lima, diretor da Schneider Eletric, o pacote do governo para o setor, lançado neste ano, terá um impacto mais positivo para sua área coberta, a de material elétrico e de instalação, e para o setor em 2007. Somado à redução da Selic, o pacote deve garantir "a geração de muitos empregos na construção civil", disse.
Automotivo
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não faz previsão para emprego, mas seu presidente, Rogelio Golfarb, disse que "quando há maiores vendas e produção, como vemos em 2007, há mais emprego".
Enquanto algumas montadoras sofrem com o câmbio, como a Volks, que demitiu em 2006, outros apostam no mercado interno e na abertura de novos, após o acordo automotivo com o México.
É o caso da Renault, que lançará seis modelos no mercado até 2009 e contratará mil pessoas. "Já contratamos 350. Não digo que 100 por cento, mas a maioria das 650 restantes será preenchida em 2007, não só na linha de montagem, mas também na engenharia, disse Antonio Megale, diretor de relações institucionais da empresa.
Móveis
Domingos Sávio Rigoni, presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimovel), disse que os incentivos à construção civil podem estimular o mercado interno do setor em 2007, por aumentar a demanda por móveis.
A melhora, no entanto, não será suficiente para reverter a queda de 13 por cento do emprego em 2006, motivada por menores exportações, que devem ser um fator negativo também em 2007.
"Acho que devemos ver algumas admissões em 2007, por conta de uma melhora do mercado interno, mas é bem difícil reverter um recuo de 13 por cento sem que o governo faça alguma coisa."
Fonte: : www.estadao.com.br








