BC diz que pacote para segurar crédito pode elevar taxa de juros
O Banco Central avalia que as medidas anunciadas há duas semanas para segurar o aumento do crédito ao consumo podem ser seguidas de um aumento da taxa básica de juros para segurar a inflação.
A informação faz parte da ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) da semana passada, quando a instituição manteve a taxa básica (Selic) em 10,75% ao ano, patamar em que está desde julho.
No documento, o BC diz que, embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, reafirma a visão de que cabe especificamente à política monetária "manter-se especialmente vigilante" para segurar a inflação.
Há duas semanas, o BC anunciou o aumento do compulsório (dinheiro dos bancos que fica depositado no BC) para tirar R$ 61 bilhões da economia e restringiu financiamentos ao consumo com prazo superior a 24 meses.
Na ata, o BC diz que há expectativa de moderação no ritmo de expansão do crédito devido a essas medidas, mas que elas não podem ser vistas como "substitutos perfeitos" de uma alta dos juros.
CENÁRIO INTERNO E EXTERNO
O BC afirma que recuou a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação doméstica.
Avalia também que as perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis e que a expansão da oferta de crédito tende a persistir, embora em ritmo mais moderado, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas.
Segundo o BC, desde a penúltima reunião (setembro) do Copom, a inflação foi "forte e negativamente" influenciada pelos preços de alimentos, que, em parte, repercutiu choques de oferta domésticos e externos.
"Cumpre também destacar a persistência do descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. Nesse contexto, o Comitê identifica riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta", diz a ata.
INFLAÇÃO
Em relação à inflação, o BC diz que "a materialização de riscos de curto prazo" com os quais a instituição trabalhava em outubro ocorreu "em magnitude superior a que se antecipava".
"Embora as incertezas que cercam o cenário global e, em menor escala, o doméstico, não permitam identificar com clareza o grau de perenidade das pressões recentes, o balanço de riscos atual se mostra menos favorável à concretização de um cenário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória de metas."
por Folha Online
Fonte: www.primeiraedicao.com.br - 20/12/2010








