BC reduz juro para 15,75%, menor patamar em cinco anos - 20/04/2006
O Banco Central reduziu ontem (19/04) a taxa de juros da economia brasileira, que voltou ao patamar de cinco anos atrás.
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade, cortar a taxa básica em 0,75 ponto percentual, de 16,5% para 15,75% ao ano, a mesma da reunião de março de 2001.
Com a redução dos juros (taxa Selic), o Banco Central diminui a atratividade das aplicações em títulos da dívida pública.
Assim, começa a "sobrar" um pouco mais de dinheiro no mercado financeiro para viabilizar investimentos que tenham retorno maior que o pago pelo governo.
É por isso que os empresários pedem corte nas taxas, para viabilizar investimentos.
Nos mercados, reduções da taxa de juros viabilizam normalmente migração de recursos da renda fixa para a Bolsa de Valores.
É também por esse motivo que as Bolsas sobem em Wall Street ao menor sinal do Federal Reserve (BC dos EUA) de que os juros possam cair.
Quando o juro sobe, acontece o inverso. O investimento em dívida suga como um ralo o dinheiro que serviria para financiar o setor produtivo.
Consumidor
O efeito dessa redução para o consumidor será pequeno, já que a diferença entre a taxa Selic e a taxa cobrada das pessoas físicas é muito grande.
Segundo cálculos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), a taxa média das operações de crédito ao consumidor passará de 7,54% ao mês para 7,49% ao mês, ou de 139,24% ao ano para 137,91% ao ano.
Para Miguel José Ribeiro de Oliveira, economista da Anefac, a queda pode ser maior em alguns bancos, porque eles têm mais "gordura" para queimar.
A entidade ressalta ainda que o corte, embora pequeno, produz um efeito indireto, que é a menor rentabilidade dos títulos públicos. Como a maior parte deles é remunerada pela taxa Selic, os bancos buscarão outras aplicações com a redução dos juros, destinando mais recursos para as operações de crédito. Com mais dinheiro disponível, a tendência é que a taxa média de juros caia.
Selic
O Selic é um sistema eletrônico que permite a atualização diária das posições das instituições financeiras, assegurando maior controle sobre as reservas bancárias.
Hoje, Selic identifica também a taxa de juros que reflete a média de remuneração dos títulos federais negociados com os bancos.
A Selic é considerada a taxa básica porque é usada em operações entre bancos e, por isso, tem influência sobre os juros de toda a economia.
Fonte: www.folha.uol.com.br








