Economia chinesa pode superar norte-americana - 19/5/2006
o impressionante crescimento da China foi facilitado pela globalização, que mudou os parâmetros da competição entre países.
Segundo o consultor europeu Roland Berger, da Strategy Consultants, o impressionante crescimento da China foi facilitado pela globalização, que mudou os parâmetros da competição entre países.
O ano de 2040 deverá marcar uma reviravolta na economia global. Para o consultor europeu Roland Berger, da Strategy Consultants, a China precisa de pouco mais de 30 anos para conseguir superar a hegemonia norte-americana, mas em somente uma década já terá ultrapassado os japoneses. A análise foi feita na quarta-feira (17 de maio) na Fiesp, durante palestra para uma platéia de empresários.
"Não vejo nenhum problema em os chineses se tornarem uma economia forte o suficiente para competir com os Estados Unidos e a União Européia. Mas o importante é que isso aconteça de forma pacífica", afirmou Berger. Ele se refere à possibilidade de as duas potências entrarem num conflito militar no futuro, embora praticamente descarte investimentos dos chineses em equipamentos bélicos. "No entanto, eles (chineses) sempre quiseram ser uma força militar mundial", lembrou.
Com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,851 trilhão, a China vem crescendo a uma média de 8,3% nos últimos anos e é hoje o sexto maior exportador do mundo. Os Estados Unidos e a União Européia, por sua vez, registram alta de 2,8% e 2,2% no mesmo período, porém, já contam com um PIB de US$ 10,450 trilhões e US$ 11,137 trilhões, respectivamente.
Aparentemente, para que o cálculo de Berger fosse confirmado, os chineses precisariam continuar crescendo no mesmo ritmo, enquanto a economia norte-americana teria que estagnar (o que significaria uma avassaladora crise mundial, mas não parece estar perto de acontecer).
AS JUSTIFICATIVAS DE BERGER
O consultor acredita que o impressionante crescimento da China foi facilitado pela globalização, que mudou os parâmetros da competição entre países. Hoje, a atratividade do mercado e do ambiente produtivo chinês é inegável.
Os 1,3 bilhão de habitantes (cerca de 10% têm grande potencial de consumo) e uma mão-de-obra quase 25 vezes mais barata que a norte-americana (US$ 1,1 contra US$ 25 por hora trabalhada) estimularam, em 2005, a atração de US$ 55 bilhões em investimentos estrangeiros. Além disso, a renda per capita do país cresce 11,3% ao ano, a produtividade aumenta 9% a cada doze meses (o maior registro no mundo) e o déficit público chinês é de 25,4% do PIB.
Aliás, o déficit público, não da China, mas sim dos Estados Unidos, tem sido um dos grandes filões de crescimento do dragão asiático. O governo de Hu Jintao aproveita-se do gigantesco déficit norte-americano, equivalente 66,6% do PIB, para comprar títulos daquela dívida. Mas, para analistas, a estratégia pode ter os dias contados, pois os EUA precisarão, em breve, reduzir esse saldo negativo.
Esse fator soma-se a uma vasta gama de problemas que podem, em algum momento, refrear o crescimento chinês: a falta de investimentos em inovação e tecnologia (US$ 17 bilhões, em 2002, contra US$ 283 bilhões nos EUA), a ainda baixa renda per capita (lá em US$ 1,46 mil; nos EUA US$ 41,97), a mão-de-obra pouco treinada, a escassez de recursos naturais e energéticos, os problemas ambientais, a burocracia, a corrupção e um regime político autoritário que influencia nos negócios.
Berger reconhece que a lista é grande, mas diz que os chineses sempre podem surpreender com a realização de programas energéticos em outros países, a ampliação da base educacional na população e até mesmo um breve fim do regime comunista.
(Fiesp)
Fonte: www.global21.com.br








