Brasil perde competitividade ante emergentes
Burocracia e carga tributária inibem avanço de empresas, diz estudo.
O Brasil perdeu, entre 2000 e 2006, posições em 14 de 24 indicadores utilizados para avaliar a sua competitividade frente às outras principais economias emergentes do mundo (Rússia, Índia, China e México), indica um estudo da Câmara de Comércio americana divulgado nesta segunda-feira.
Segundo o estudo, embora tenha melhorado em termos absolutos (ou seja, na comparação consigo mesmo) na maior parte dos indicadores utilizados, o país progrediu menos dos que os demais países avaliados.
O risco soberano, por exemplo, que é o risco de países não pagarem seus credores, seja por dificuldades macroeconômicas ou por decisão política, apresentou melhora nos últimos seis anos – mas o fato de o avanço ter sido inferior ao de outros países avaliados fez o Brasil cair da 2ª para a 4ª posição no ranking que mede esse indicador.
O "Painel de Competitividade 2006" compilou índices desenvolvidos por instituições como Banco Mundial, ONU e Transparência Internacional para compor o que são chamados de os três pilares da competitividade: custo e disponibilidade de capital (no qual entram fatores como risco soberano e taxa real de juros), custo fiscal e institucional (carga tributária e índice de percepção de corrupção, entre outros) e custo operacional, categoria mais ligada à infra-estrutura e às leis que regem o funcionamento das empresas (tempo de abertura, patentes, capacitação de mão de obra, etc).
No índice composto, formado pelos 24 indicadores, o Brasil fica em 4º e último lugar, empatado com o México, apresentando desempenho “especialmente insatisfatório” nos fatores que medem o custo fiscal e institucional e o custo operacional.
"Quando comparados a alguns de nossos principais competidores, mais especificamente Rússia, Índia, China e México, entre o mesmo período (2000 a 2006), apresentamos melhora em apenas dois indicadores, saindo da 5ª colocação para a 4ª (em termos de) leis Trabalhistas e funcionamento da Justiça", afirma o estudo, que em seguida ressalva que em apenas um desses critérios (leis trabalhistas), a melhora se deu por "esforço próprio".
"No caso do funcionamento da Justiça, passamos a Índia, não porque melhoramos, mas porque pioramos menos que esse país."
O estudo foi elaborado por especialistas da Câmara Americana de Comércio em parceria com a organização Movimento Brasil Competitivo.
Potencial
Segundo os autores, o fato de o Brasil ser o segundo melhor colocado (atrás da Índia) no indicador que mede empreendedorismo mostra que o setor privado tem grande potencial competitivo, mas precisa de "melhores condições para se desenvolver".
O estudo destaca como particularmente negativos fatores como a elevada carga tributária (em 2004, 35% do PIB, a mais alta do Bric-M), a demora no processo de abertura de empresas (152 dias, "muito maior" que no restante dos países Bric-M), e o risco soberano (que, além de ser o pior dos países analisados, exige altas taxas de juros para atrair investimentos).
Os autores defendem um ajuste fiscal "através da maior eficiência do setor público" e maiores investimentos em educação e treinamento profissional, para que o país consiga melhores resultados na produtividade e na capacitação de mão de obra, indicador em que está em penúltimo lugar, ganhando apenas da China.
Carolina Glycério
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/12/061204_amchamcg_pu.shtml








