Brasil terá déficit comercial em 2011, diz economista da Fiesp Eduardo Laguna
O Brasil deverá apresentar déficit
comercial em 2011, como resultado do enfraquecimento do dólar em
relação ao real, de acordo com as projeções do diretor titular do
Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto
Giannetti da Fonseca.
Segundo o economista, o saldo positivo
da balança comercial irá recuar para uma faixa de US$ 5 bilhões a US$
10 bilhões já no próximo ano, na esteira de um crescimento entre 15% e
20% nas importações, bem acima da alta de 5% a 10% aguardada para as
exportações.
As previsões são mais negativas do que as do
mercado financeiro, que aguarda um saldo positivo de US$ 15 bilhões no
próximo ano, conforme mostra o boletim Focus, do Banco Central. Para
2009, as instituições financeiras projetam um superávit comercial de
US$ 25,2 bilhões.
Fonseca declarou ainda que o país poderia
crescer a uma taxa próxima de 7% em 2010, não fosse a contribuição
negativa do comércio exterior. Segundo suas contas, o declínio das
exportações responde por 50,3% da queda na produção industrial
brasileira neste ano. Segundo números do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), a produção da indústria nos nove
primeiros meses do ano cedeu 11,6%.
De janeiro a setembro, as
vendas externas de produtos manufaturados apresentaram uma expressiva
baixa de 24,1%, algo que não era visto desde os anos 80, disse Fonseca,
durante entrevista coletiva nesta terça-feira.
O economista
defendeu uma intervenção maior do governo no mercado cambial, no
sentido de trazer a cotação do dólar a patamares " mais saudáveis " , o
que, na sua visão, seria uma relação de troca entre R$ 2,00 e R$ 2,20
para cada dólar. Ontem, o dólar comercial fechou em queda de 0,69%, a
R$ 1,708 para a compra e R$ 1,710 para a venda.
A taxação de
2% nas aplicações de estrangeiros no mercado de capitais brasileiro
representa uma decisão modesta diante de uma série de outras medidas
que precisam ser tomadas para frear o real, apontou Fonseca.
Para
ele, é necessária uma intervenção no mercado futuro, com alterações nos
limites de posições vendidas dos bancos para reduzir a pressão dos
especuladores. O equilíbrio da taxa de câmbio ainda passa pela
permissão na abertura de contas em dólares no país para operadores de
comércio exterior e investidores estrangeiros, além do lançamento de
linhas de crédito em reais para as exportações, conforme as propostas
do departamento de relações internacionais e comércio exterior da
Fiesp.
Fonseca criticou ainda as declarações do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva de que a indústria precisa se qualificar -
com mais investimentos em tecnologia - para seguir exportando, mesmo
com o câmbio mais baixo. De acordo com o economista, os investimentos
são a consequência e não a causa de uma melhora no câmbio. " O câmbio
não vai ser resolvido com investimento em tecnologia. Ninguém vai
investir para ter prejuízo ", disse.
Fonte: Valor Online / Kaduna/IEA/Funcex - Sistema de Informações - 18/11/2009








