Cautela no setor produtivo
O conjunto de medidas anunciadas pelo governo federal é bem-vindo para os setores calçadista, moveleiro e de máquinas e implementos agrícolas da Serra. Porém, as lideranças setoriais fazem ressalvas tanto ao pacote cambial quanto à linha de crédito aberta para socorrer esses três segmentos que amargam perdas causadas seja por estiagem, valorização do real ou aumento dos insumos.
Classificando as medidas como paliativas, os dirigentes continuam à espera de ações com características estruturais para reerguer as indústrias, como redução de juros, linhas de financiamento específicas para atualização tecnológica e liberação dos créditos gerados pelo pagamento de impostos, como PIS, Cofins e IPI, incidentes nas matérias-primas utilizadas em produtos destinados à exportação.
Em se tratando do pacote cambial, que entre outras questões permite a manutenção de 30% dos recursos obtidos com exportação no Exterior, o consenso é de que ele beneficiará basicamente as grandes empresas. Isso porque as indústrias de menor porte não podem abrir mão da receita de exportação para investimentos no Exterior e tampouco possuem grandes volumes de importações que poderiam ser pagos por meio desse recurso.
- Na realidade precisamos de outro tipo de ajuda, como a liberação dos créditos de impostos gerados pela exportação e que estão sendo retidos pelo governo. Para as empresas, isso significa segurança e capital de giro - defende o presidente da Associação dos Fabricantes de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Luiz Attilio Troes.
Segundo Troes, uma pesquisa feita com 40 empresas moveleiras da região apontou cerca de R$ 20 milhões retidos em créditos de exportação. O setor moveleiro, um dos mais prejudicados na Serra com o câmbio, fechou 10 mil postos de trabalho somente no primeiro semestre deste ano e reduziu em 6,6% o faturamento proveniente da exportação.
Veja aqui a evolução das exportações gaúchas de móveis no primeiro semestre
Fonte: Martha Caus - www.clicrbs.com.br/jornais/pioneiro








