Cenário torna crédito escasso e mais caro
O Banco Central (BC) confirmou ontem (22/10), em números, o que empresas e clientes bancários estão sentindo na pele desde o agravamento da crise financeira internacional no mês passado.
O crédito está mais caro e escasso. A taxa média de juros cobrada pelos bancos nos primeiros dez dias corridos de outubro em todas as modalidades de empréstimos atingiu 41,6% ao ano ante 40,4% registrados no fim de setembro. Como o presidente do BC, Henrique Meirelles, antecipou durante debate na Câmara, na terça-feira, a concessão de novos empréstimos caiu 13% no início deste mês se comparado ao mesmo período de setembro.
"Outubro já mostra impacto e certa acomodação do crédito por causa da crise", resumiu o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Segundo dados da autoridade monetária, o encarecimento do crédito nos primeiros dias do mês ficou mais evidente nos empréstimos às empresas já que a taxa média cobrada aumentou de 28,3%, no fim de setembro, para 30,8%. Nas operações para as famílias, a taxa média manteve-se em 53,1%, mesmo patamar do mês anterior.
O travamento do crédito pode ser percebido mais claramente na redução do volume de novas concessões às pessoas físicas, que diminuíram 13,4% nos primeiros dez dias de outubro frente ao mesmo período de setembro. Para as empresas, a redução foi de 12,8%. Na soma dos dois segmentos, a redução média é de 13%. Lopes explicou que, no caso das empresas, a alta do dólar influencia o volume emprestado, pois as fontes externas de financiamento são comuns nesse segmento.
Para ele, esse arrefecimento do mercado de crédito brasileiro pode ser explicado por quatro fatores, sendo dois desses motivos gerados pelos próprios bancos. "Do ponto de vista do emprestador, os bancos, o funding (fonte de recursos) está menor e a análise para concessão de empréstimos está mais rigorosa", disse. Na outra ponta, continuou ele, há os clientes que têm adotado um comportamento mais cauteloso diante da crise, aguardando os efeitos sobre a economia brasileira. Para completar, a greve dos bancários também prejudica a contratação de empréstimos.
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, disse ontem, que, se necessário, o governo vai "enfiar a faca" no corte de despesas para manter o orçamento equilibrado para o próximo ano. Segundo ele, em novembro será feita uma reunião para revisão do orçamento e "eventualmente pode ter mudanças". Depois será enviado à Comissão de Orçamento.
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Fonte: Jornal do Comércio - 23/10/2008








