Com dólar fraco, 812 empresas deixaram de exportar neste ano
Apesar de ainda não impedir o crescimento das exportações e do superávit da balança comercial, a desvalorização do dólar em relação ao real tem afugentado empresários do mercado externo.
Segundo o presidente da Apex (Agência de Promoção de Exportações, ligada ao Ministério do Desenvolvimento), Juan Quirós, 812 empresas exportadoras brasileiras decidiram deixar de exportar neste ano.
Quirós afirmou, entretanto, que cerca de 600 dessas empresas trabalhavam com comércio exterior e apenas revendiam os produtos brasileiros exportados --atividade que deixou de ser rentável com a queda do dólar e a das margens de lucro.
As demais 212 empresas são em sua maioria pequenas e médias. Por esse motivo, foram muito mais afetadas pelo impacto da cotação atual do dólar sobre as exportações.
Esse foi o segundo ano em que o saldo das empresas que entraram e saíram do mercado externo ficou negativo. Em 2005, 951 companhias deixaram de exportar, segundo o Ministério do Desenvolvimento.
Quirós, no entanto, afirma que a maioria das empresas já se adaptou ao câmbio e que as exportações brasileiras vão crescer entre 8% e 15% em 2007.
Apesar de expressiva, a alta é inferior à registrada neste ano. De janeiro até o último domingo, as exportações somaram US$ 126,052 bilhões e acumularam um crescimento de 16% sobre o mesmo período de 2005.
Quirós disse que vê um "erro" em análises de que a alta das exportações neste ano foi sustentada pelo aumento do preço das commodities no mercado externo.
Ele lembrou que todas as commodities juntas representam cerca de 23% das exportações brasileiras, contra 77% de produtos manufaturados e semimanufaturados.
Para o presidente da Apex, os esforços para a promoção de produtos brasileiros e para a abertura de novos mercados, além da competência do empresariado brasileiro, permitiram a continuidade do crescimento das exportações.
Em um balanço de seus quatro anos à frente da agência, Quirós disse que a Apex apoiou 589 projetos com um investimento total de R$ 1,2 bilhão. Hoje foram assinados contratos para o desenvolvimento de mais 26 projetos em 2007 e 2008 que prevêem o investimento de mais R$ 192 milhões.
Em 2003, ele disse que a agência ajudava cerca de 2.000 empresas e que agora são 8.500 de 70 setores, que são responsáveis por 68% dos US$ 135 bilhões em exportações previstos para este ano.
Os investimentos da Apex permitiram a prospecção de novos mercados, a preparação das empresas para a exportação, a escolha de produtos exportáveis, a vinda de empresários e jornalistas de outros países para conhecer produtos brasileiros, a criação de marcas, a promoção de produtos em cerca de 500 feiras por ano e a construção de canais de distribuição.
O Brasil é, segundo Quirós, o único país que tem centros de distribuição no exterior. Hoje são cinco (Miami, Lisboa, Frankfurt, Lisboa, Varsóvia e Dubai), mas outros três serão inaugurados (Panamá, África do Sul e China).
João Sandrini
Fonte: www.folha.uol.com.br








