Comércio internacional deve crescer 7% em 2006 e 2007 - 08/03/2006
O Banco Mundial projeta um crescimento real na economia mundial de 3%
O comércio internacional consiste no intercâmbio de bens, serviços e capitais entre os diferentes países. Atualmente, todos os países importam muitas mercadorias, bens e serviços que poderiam ser produzidos por eles mesmos. A justificativa para esses intercâmbios internacionais baseia-se fundamentalmente no fato de que todas as nações possuem recursos e capacidades tecnológicas muito diferentes. Condições climatológicas, riqueza mineral, tecnologia, quantidade disponível de mão-de-obra, quantidade disponível de capital e quantidade disponível de terra cultivável, são os fatores que favorecem determinados países a produzirem um determinado bem de maneira mais eficaz que um outro país. Outro fator importante é o desempenho das políticas públicas.
As perspectivas de crescimento do comércio internacional para 2006 e 2007, segundo Sinopse Internacional Trimestral do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os Estados Unidos e a China devem liderar o crescimento mundial em 2006 e 2007, em decorrência da hesitação dos países do euro e por uma expansão mais robusta da economia japonesa, em um contexto de inflação controlada e redução gradual do desemprego.
A economia internacional em 2005 cresceu 3,2%, em termos reais, comparada a 2004. Para 2006 e 2007 o Banco Mundial projeta um crescimento real na economia mundial de 3%.
Quanto ao comércio mundial em 2005 houve uma expansão de 6%, em relação a 2004 que foi de 10,2%. Para 2006 e 2007 o banco projeta um crescimento de 7% do comércio internacional.
Segundo os últimos dados disponíveis, as taxas de inflação mantêm-se sob controle nos EUA, apontando para a manutenção da política de aumentos graduais das taxas de juros pelo Banco Central dos Estados Unidos (FED), que estão em 4,5% ao ano após o último aumento de 0,25 ponto percentual no dia 31 de janeiro de 2006. O novo presidente do FED, Ben S. Bernake, sinalizou que continuará seguindo a linha de ação de seu antecessor, o que foi recebido de forma positiva pelo mercado internacional.
O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 3,2% em 2005, menor que em 2004, que foi registrado em 4,2%. O desemprego em 2005 fechou abaixo dos 5% da população economicamente ativa. A inflação foi de 2% em 2005, medida pela variação do índice de preços ao consumidor excluindo-se os preços dos alimentos e energia.
As projeções apontam para uma continuidade da trajetória de crescimento, apresentando uma expansão de 3% para 2006 e 3,5% para 2007 para o PIB dos EUA. A inflação deverá permanecer estável em torno de 2% nos próximos dois anos.
Quanto ao continente asiático, o Escritório Nacional de Estatísticas da China, divulgou a revisão dos resultados do PIB de 1993 a 2004 que elevou a média de crescimento do PIB chinês no período de 9,4% para 9,9%. A China continuou sendo o principal destaque de crescimento em 2005, o PIB expandiu 9,9%, um pouco abaixo do crescimento de 10,1% de 2004. A indústria, os serviços e a agropecuária apresentaram crescimento de 11,4%, 9,6% e 5,2%, respectivamente, em relação a 2004.
As exportações chinesas atingiram o montante de US$ 762 bilhões, o que representou um aumento de 28,4% em relação a 2004. O saldo comercial chinês, por sua vez, foi de US$ 101,9 bilhões. O investimento fixo expandiu-se 25,7% em 2005, ante 2004, atingindo 48,6% do PIB. Em 2006 e 2007, a maioria das estimativas aponta para uma taxa de crescimento real do PIB chinês de 9%.
China: qual o segredo do seu sucesso?
Segundo Dani Rodrik que estuda a evolução das exportações chinesas, a China tem um desempenho de exportações fantástico:
A participação das vendas externas no PIB aumentou de praticamente zero nos anos 1960, para 30% em 2003, um crescimento muito maior do que o registrado em qualquer outro lugar no mundo. Isto se refletiu em um aumento da participação das exportações chinesas no total mundial de cerca de 2% nos anos 1960 para algo próximo de 6% em 2003.
Segundo o autor, a performance chinesa contraria a teoria das vantagens comparativas: apesar da alta quantidade de mão-de-obra disponível e do fato de o trabalho intensivo ter um papel importante na pauta de exportações da China, aquele país também exporta uma grande quantidade de produtos com alto nível de sofisticação tecnológica, intensivos em capital e conhecimento.
A partir da construção de um indicador de produtividade das exportações para diversos países, o autor constata que quanto maior o indicador – que está associado ao nível de sofisticação da pauta – maiores as taxas de crescimento subseqüentes. Neste sentido, é que o autor afirma que o mais importante não é o quanto se exporta, mas sim o que se exporta.
O nível de sofisticação atingido pela pauta chinesa de exportações equivale a de um país com uma renda per capita pelo menos três vezes maior do que a China. E esta busca por um maior nível de sofisticação da pauta de exportações tem tido um impacto positivo em termos de crescimento.
Para este desempenho foi determinante o papel das políticas públicas: além da manutenção de uma taxa de câmbio favorável, o estado chinês soube maximizar os ganhos com a atração de investimentos externos diretos. Tomando como exemplo a indústria de eletrônicos de consumo, o autor ressalta que o acesso ao mercado doméstico aos investidores estrangeiros esteve em grande medida condicionado à criação de joint ventures com empresas locais – na maioria estatais – a fim de garantir a transferência de tecnologia e, assim, internalizar a capacitação tecnológica.
O Japão após ter crescido 2,6% em 2004 e 2,4% em 2005, deve crescer conforme projeções para uma taxa de crescimento real do PIB de 2,0% em 2006 e 2007. Tudo indica que a política monetária expansionista será mantida até serem definitivamente eliminados os riscos de um novo período de deflação. Com a confirmação da continuidade de uma trajetória de crescimento, as projeções são de que a taxa de desemprego japonesa continue se reduzindo, para cerca de 4,0% em 2006 e 3,5% em 2007. Em 2002, a taxa de desemprego havia sido de 5,4%.
Na Índia, após um crescimento de 8,0% em 2005, as projeções apontam para um crescimento real do PIB um pouco menor, em torno de 7,0% em 2006 e 2007. A inflação continua sob controle e projeta-se uma taxa acumulada da ordem de 4,0% em 2006 e 2007. As taxas de juros básicas da economia vêm sendo gradualmente reduzidas nos últimos anos e encontram-se atualmente em torno de 6,0% ao ano, o que tem contribuído para o aumento da demanda agregada da economia.
Em relação à União Européia, na zona do euro, as taxas de crescimento continuam contidas, mas a expansão deverá ser maior nos próximos dois anos: após ter crescido 1,5% em 2005, as projeções apontam para um crescimento maior, da ordem de 2,0% do PIB em 2006 e 2007.
No último trimestre de 2005, a zona do euro cresceu apenas 0,3%, menos do que o esperado, o que decorreu, principalmente, do desempenho da Alemanha e da França, as duas maiores economias do bloco. A Alemanha apresentou crescimento zero no quarto trimestre de 2005 e a França, uma expansão de 0,2%, comparado ao trimestre anterior. No ano de 2005, as estimativas são de que a Alemanha e a França tenham crescido 1,1% e 1,4%, respectivamente. O destaque de crescimento ficou com a Espanha cujo PIB apresentou um crescimento real estimado de 3,4%, frente a 2004.
As economias da América Latina e o Caribe apresentaram crescimento pelo terceiro ano consecutivo em 2005. Conforme a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL) o PIB da região expandiu 4,3% no ano passado. Para 2006 e 2007, as projeções apontam para um crescimento real médio da ordem de 4,0%. Já para o Brasil, segundo pesquisa da Reuters, os economistas prevêem um crescimento em torno de 3,5% em 2006, em linha com os analistas ouvidos na pesquisa mais recente do Banco Central e divulgada no Boletim Focus, um crescimento inferior ao de outros países emergentes.
Embora o crescimento do Brasil no exercício 2005 tenha sido inferior as metas estipuladas pelo governo e, segundo as estimativas dos economistas para 2006 de um crescimento de 3,5%, o mercado internacional sinaliza com uma taxa de crescimento positiva, assim as empresas exportadoras devem aproveitar essa sinalização de necessidade do comércio internacional, mantendo e/ou conquistando novos mercados, atentando para o valor agregado ao produto, fazendo a diferença na hora de exportar.
Fonte: www.global21.com.br/www.clicrbs.com.br








