Comércio mundial dá sinais de reação
Depois da pior queda em 70 anos, o comércio mundial começa a dar sinais de reação, embora tímida. Dados obtidos pelo Estado apontam que, pela primeira vez desde setembro de 2008, o fluxo de comércio pelo menos parou de cair. Por enquanto, são apenas indicações e a retomada não será suficiente para reverter a queda dos últimos seis meses.
Segundo dados do Escritório de Análise Econômica da Holanda, o fluxo comercial global cresceu 0,8% em fevereiro. Em janeiro, havia caído 5,9% e em alguns países a queda chegou a 40%.
Dados coletados pelo centro de análise da Holanda indicam que as exportações dos países ricos voltaram a crescer, principalmente para os emergentes. No total, o comércio mundial somou US$ 161,8 bilhões em fevereiro, ante US$ 160,5 bilhões em janeiro. Isso significa ainda uma contração de US$ 30 bilhões em relação a janeiro de 2008. Mas, pelo menos, é uma reversão da tendência.
Já a Organização Mundial do Comércio (OMC) aponta que China, Coreia do Sul, África do Sul, Brasil, Reino Unido, zona do euro e Estados Unidos tiveram uma alta nas exportações em fevereiro. O Japão continuou a sofrer queda, de 6%. As exportações americanas aumentaram em 4,1%, depois de uma queda de 7,9% em janeiro.
Na Europa, a contração de 5,3% em janeiro foi revertida em uma pequena expansão de 0,3% em fevereiro.
Mas a tímida mudança de comportamento não significa a retomada do comércio mundial a taxas anteriores à crise. O problema principal é que as importações dos países ricos continuam a cair. No Japão, a redução foi de 16,3% em fevereiro, ante uma queda de 5,8% nos Estados Unidos e de 1,4% na Europa.
A OMC ainda estima que o comércio mundial cairá 9% este ano. O Fundo Monetário Internacional (FMI) fala em queda de 12%. A constatação, porém, é que o movimento de queda parou.
Entre novembro e janeiro, o comércio mundial caiu a uma taxa recorde de 17,5%, em volume. Se a taxa for anualizada, a queda é de 44%, a pior já registrada pelas entidades de pesquisa. Um dos pontos mais críticos foi a queda de 19,3% nas importações de países emergentes.
Segundo a entidade, a queda das economias emergentes acabou agravando o cenário internacional. Europeus, americanos e japoneses já estavam em recessão, mas apostavam que as economias emergentes poderiam resistir e, portanto, o tombo não seria tão grande.
Mas os emergentes não resistiram e, com eles, o comércio desabou. A retomada de fevereiro, ainda que mínima, foi suficiente para os institutos de análise indicarem que o comércio já ultrapassou a sua fase mais difícil.
O Estado de S.Paulo
Fonte: www.portogente.com.br








