Como chegar ao consumidor final e dados de mercado foram a tônica do 3º Congresso Moveleiro
Promovido pela Siq Marketing e Abimóvel evento recebeu mais de 350 de participantes do setor moveleiro.
Discutir questões que buscam encontrar caminhos e alternativas para que as empresas do setor moveleiro estejam mais próximas do consumidor final. Esta foi a proposta do 3º Congresso Moveleiro, evento promovido pela Abimóvel – Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário e pela Siq Marketing. O evento aconteceu nos dias 19 e 20 de agosto, simultaneamente ao Salão Abimóvel.
O jornalista Carlos Alberto Sardenberg, especialista na área de economia, confirmou na quinta-feira (19), durante a abertura do 3º Congresso Moveleiro, em sua palestra “O Momento econômico e o setor moveleiro”, que em 2010 todo o mundo voltará a crescer, não como era antes, mas que as agências estão revendo para melhor as perspectivas. Segundo Sardenberg, a economia mundial crescerá 2%, o Brasil 2,7%, a China 8%, Japão 1,1% e EUA 2%. “O Brasil precisa gerar 1,5 mi novos empregos por ano para atender a demanda do crescimento”, avaliou o jornalista.
Sardenberg adiantou ainda que o ano de 2008 foi um período brilhante que excedeu a crise “o mundo cresceu acima do potencial. A Europa cresceu 2%, China 11% e o Brasil 4,5%. As razões para este crescimento foram a tecnologia da informação, sistema financeiro, globalização (fim do socialismo). Segundo ele, existem dois lados: um negativo e outro positivo. Negativo porque a concorrência aumenta e positivo porque todo mundo pode entrar para o mercado. “As taxas de juros vão cair igual em outros países . A inflação aleija o país.”
Em 2009 o Brasil completará 10 anos de regime de meta de inflação com o Banco Central independente. “O Brasil precisa de crédito para o consumo e investimentos. Isso que faz um país andar”, finaliza o jornalista.
As classes C, D e E também foram foco durante o Congresso Moveleiro. O diretor do Instituto de Pesquisa DataPopular, Renato Meireles, afirmou que nenhuma empresa vai ser líder senão for líder nas classes C,D e E. A pirâmide de renda se inverteu. Com isso, 85% da população, 76% do consumo e 69% dos cartões de crédito vêm das classes C, D e E. A classe A quer exclusividade, porém, é menos fiel a marca, tem vergonha do desconto e tem prazerem ostentar. Já a classe C quer ser igual, mas precisa de vantagens e razões concretas. O produto tem que ser bom e durar, o consumidor tem orgulho de saber onde estão as ofertas. O que o empresário precisa saber quais são os signos, precisa construir parcerias fortes. “Ter um produto de qualidade é fundamental hoje em dia para conquistar os clientes”, afirma o diretor.
Meireles deu dicas importantes para o empresário do setor moveleiro. Segundo ele, a maior propaganda para a classe C,D e E é o boca a boca, 60% da população tem prazer em contar para o vizinho, amigo e parentes e somente 20% da classe A tem este comportamento. É importante também saber dialogar com o consumidor, tem que aproximar a marca da cultura dele. “O vendedor precisa saber pronunciar o nome do seu produto, portanto, é fundamental nomes simples para que a maioria da população entenda e possa transmitir para outras pessoas”, finalizou.
Sobre o comportamento do consumidor, o diretor de varejo do Instituto de Pesquisa GFK, Marco Aurélio Lima falou a respeito de vida verde no qual, segundo ele, o consumidor do futuro pensará muito mais de onde vem a matéria-prima e isso refletirá no modo de consumir. A certificação verde vai crescer. “O mercado de móveis vai sofrer a influência se o móvel está certificado”, acrescentou. Lima discursou ainda sobre o novo padrão do consumidor que são compostos por 26% de solteiros, 13,8% de casal sem filhos e 55,7% de casais com filho. Dentro deste padrão, a indústria moveleira tem que pensar nos móveis de pequeno porte para se adequar à realidade de morar; além de experimentação. Para o diretor, o consumidor adora experimentar antes de comprar “A empresa precisa ter um software específico para mostrar o máximo da realidade para seu público e o conceito de simplicidade tem que estar presente sempre”, alega Lima.
Fechou o primeiro dia do Congresso a palestra de Inovação – os caminhos para a sustentabilidade do negócio ministrada pela presidente do Fórum de Inovação da FGV-EAESP, Silvana Aguiar, Álvaro Weiss, diretor da Artefama e Leonardo Cardoso, diretor da NóDesign. Silvana iniciou a palestra com uma pergunta ao público – o mundo mudou, o cliente mudou, mas eu mudei?. Segundo Silvana, a inovação tem que ser simples e profunda, mas é preciso alavancar para um novo patamar. “Não adianta fazer as mesmas coisas todos os dias e querer o mesmo resultado. É preciso acreditar em novas idéias”, enfatiza a presidenta. A troca de conhecimento dentro do ambiente criativo foi o mote do designer Leonardo Cardoso. Para Cardoso, a inovação tem que vir pelo design - maneira mais fácil de comunicar com o produto. “O consumidor vai esbarrar todos os dias no seu móvel, por isso, o designer é importante”, assegura.
O segundo dia do 3º Congresso Moveleiro iniciou com a palestra do diretor de Inovação do GAD Design, Charles Bezerra sobre o relato do projeto “histórias de inovação no mobiliário brasileiro”, que contou com a participação de oito designers de diferentes localidades do país que trabalharam em conjunto com oito indústrias do mobiliário de diversos portes e regiões.
Despir e vestir o consumidor. Este foi o início da palestra do presidente da TCA Internacional, José Luiz Tejon. Segundo ele, a maior arte do vendedor é saber perguntar porque vender, é um processo gerencial e mental. O bom vendedor tem que criar uma intimidade inconsciente – eu quero você - com o seu público e, para isso, tem que ter um preparo mental e criar um espelhamento. “Você forma um grande vendedor a partir do berço”. Tejon disse que existem alguns tipos de vendedores fáceis de serem identificados. O vendedor que tem empatia – os clientes os amam, mas não vendem nada; o que tem tônus – 10 e empatia 0 - é um trator e se preocupa somente com ele. Não importa o que acontece, o vendedor resolve. Ainda tem o vendedor branca de neve/bambis estão sempre acompanhados e sempre reclamam. O presidente falou ainda que as mulheres vendem mais que os homens, por conta do “design”, carisma, superação e determinação.
Tejon lembrou também que muitos vendedores temem os clientes, não sabem onde colocar a mão; decoram as falas para se livrarem das tarefas, tem comportamento estático – não sabem falar com o corpo. “Pra vender bem é preciso observar os melhores e, tem que amar o que gosta”.
Cássia Magalhães
Fonte: www.segs.com.br








