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Competitividade no limite

Dólar chega a operar abaixo de R$ 2 e preocupa setores exportadores.


O diretor financeiro da Treboll Móveis, de Flores da Cunha, RS, Alberto Peliciolli, consulta sua agenda e aponta com exatidão o dia em que o câmbio passou a dar condições de a empresa operar com alguma margem de lucro com as exportações: 6 de outubro de 2008. Ele acompanha o valor da moeda norte-americana, já que a empresa é 100% voltada para o mercado externo:

– Naquele mês, teve picos de R$ 2,15. Em dezembro, a cotação foi a R$ 2,40 e depois começou a cair. No dia 6 de maio, foi para R$ 2,10 e no dia 11 baixou para R$ 2,05.

Ontem, a cotação do dólar chegou a R$ 1,999 na abertura dos negócios, encerrando em R$ 2,001. Foi a primeira vez que esse valor rompeu o piso de R$ 2 em sete meses. A escorregada deixou em alerta as empresas que vendem para o Exterior. Em especial setores que demandam muita mão-de-obra, como o moveleiro, e que precisam do real menos valorizado para atuar com alguma rentabilidade no mercado externo.

– Estávamos trabalhando com nossa planilha de custos e de preços (com o dólar) na faixa de R$ 2,10. Esse é o mínimo desejável para se ter algum lucro e apresentar competitividade com os concorrentes lá fora – observa Peliciolli.

A preocupação do diretor é compartilhada pelo presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Henrique Bertolini. Ele explica que, se o real começar uma nova escalada de valorização, agravará ainda mais a situação. Isso porque a cotação do dólar seguiu o caminho inverso da demanda de produtos no mercado.

– A exportação não está acontecendo por causa do momento econômico. No início de 2009, veio um recuo forte dos principais mercados por causa da crise – diz Bertolini.

Por isso, apesar de a moeda americana ter se valorizado no final de 2008, não foi possível para as empresas se capitalizarem nesse período.

– Teríamos conseguido se o volume tivesse se mantido, mas os pedidos caíram bruscamente, chegando entre 55% e 60% do normal – afirma Peliciolli.

MARTHA CAUS 

Fonte: www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs

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