Congresso Moveleiro discute desenvolvimento setorial
As empresas do setor moveleiro precisam estar atentas às mudanças e "antenadas" com as exigências dos consumidores brasileiros em relação a design, preço, qualidade e com o marketing e a comunicação de sua marca ao mercado.
Estas são, em síntese, as conclusões do 2º Congresso Moveleiro Abimóvel/Sebrae, que aconteceu entre os dias 7 e 8 de agosto de 2007 no Novotel Center Norte, em São Paulo, em paralelo à 25ª Feira Internacional da Indústria Moveleira (Fenavem). A segunda edição do Congresso Moveleiro foi extremamente bem-sucedida, com a participação de 678 inscritos de diversos pontos do país, interessados em discutir os rumos do setor e anotar as visões mais inovadoras sobre questões fundamentais ao segmento, como as questões de marketing, da emergência de novos mercados, da necessidade de tecnologia e inovação para o desenvolvimento de novos produtos e do negócio e do foco na sustentabilidade como importante valor corporativo.
O pano de fundo do congresso foi a discussão do que é necessário fazer para elevar o crescimento do setor moveleiro e suas estratégias de desenvolvimento. "Esse é o principal evento anual do setor e neste ano discutiremos questões estratégicas para a indústria e o comércio moveleiros e as alternativas existentes no mercado para incentivar o crescimento do país nesse segmento, que tem faturamento global de mais de R$ 17 bilhões e exporta quase US$ 1 bilhão por ano", afirmou José Luiz Fernandez, presidente da Abimóvel, na abertura do evento. O deputado federal João Dado, presidente da Frente Parlamentar Moveleira, informou aos presentes, também no início do congresso, que há questões em debate pela frente que interessam a todos do setor: "Temas como PIS/Cofins, redução da carga tributária e medidas de apoio à indústria moveleira são os desafios que enfrentaremos, junto com as entidades do setor, na Frente Parlamentar Moveleira", afirmou Dado. O presidente do Sebrae/SP, Milton Dallari, representando o presidente nacional do Sebrae, Paulo Okamoto, disse que a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, aprovada em dezembro último, é um importante passo para as empresas de pequeno porte, que são maioria no segmento moveleiro. "A Lei Geral traz incentivos às micro e pequenas empresas em itens importantes, como as licitações públicas, por exemplo", afirmou Dallari. Ele explicou ainda que o Sebrae apóia 84 projetos em 24 Estados brasileiros, num total de R$ 96 milhões de investimento.
Marketing e sustentabilidade
No primeiro dia do congresso, o consultor e especialista em marketing Arão Sapiro abriu os debates abordando as mudanças nas estratégias de marketing e a necessidade de o setor estar atento às mudanças, dizendo que estamos vivendo a "era da inovação", após termos passado pelas eras do preço (década de 1960) e da qualidade (décadas de 1970/1980), entre as principais tendências mundiais. "a palavra de ordem hoje é meio ambiente e preservação. Estejam atentos a isso", disse Sapiro.
Na seqüência, um talk show - debate - envolveu a questão da sustentabilidade do setor moveleiro, em todas as suas instâncias - ambiental, social e econômica. Os participantes desse debate foram Helio Seibel, da Leo Madeiras, Rosmary Delboni, da Key Associados, com moderação a cargo da jornalista Ana Luíza Herzog, da revista Exame. Rosmary utilizou sua experiência na área de sustentabilidade para dizer aos presentes que esse conceito não é modismo, mas "veio para ficar". De acordo com ela, as empresas que não prestarem atenção à preservação ambiental e às questões sociais em sua operação correm o risco de perder o principal, "a sustentabilidade econômica do negócio, devido às reações negativas do mercado consumidor". Já Helio Seibel discorreu, de forma bastante coloquial e bem-humorada, sobre as motivações principais que o levaram - e à sua rede de lojas - a investir na questão da sustentabilidade. "Cansado de ser cobrado em casa pelo meu filho, que reclamava da pecha de destruidores da natureza que o setor de madeira e móvel tinha então, procurei o Greenpeace para discutir essa questão", contou ele. À estranheza inicial dos integrantes do movimento, tido por muitos como radical, houve um entendimento muito grande entre as partes, após discutirem a questão, segundo Seibel. "Expliquei a eles que ao nosso setor interessa e muito a preservação ambiental, porque vivemos disso. Eles concordaram e até nos orientaram a abrir a loja com o selo EcoLeo, que visa a distribuir madeira com a certificação FSC (Forest Stewardship Council), junto com as lojas convencionais da rede, para que ela tivesse sustentabilidade econômica", relatou Seibel.
Tecnologia e inovação
Fazer inovação em pequenas empresas é diferente de desenvolver essa mesma questão em grandes companhias, explicou Paulo Alvim, gerente da Unidade de Inovação e Acesso à Tecnologia do Sebrae. Inovação, disse ele, é uma das 12 prioridades do Sebrae e recebe atualmente 15,3% do orçamento de R$ 130 milhões/ano da instituição. A meta do Sebrae é atingir 20% do seu orçamento anual em investimentos em tecnologia e inovação até 2011, disse Alvim. Ele apresentou diversas ações do Sebrae em pólos moveleiros pelo Brasil, discorreu sobre as ações da chamada escada da inovação do serviço e disse que o Sebrae disponibiliza, gratuitamente, em seu site o SRT-Serviço de Respostas Técnicas, que tem como meta atingir 10 mil respostas em 2007. Ele também divulgou que o Sebrae tem novo edital, que entraria no ar na terça-feira, 13 de agosto, para um programa que fornece recursos não-reembolsáveis às empresas que desejam investir em inovação. "A nossa meta é levar a inovação e o desenvolvimento tecnológico também às empresas moveleiras de todo o país", afirmou Alvim.
Mercado e suas questões
O mercado brasileiro atual, como conquistar novos e fidelizar os clientes antigos, além de incorporar em seu planejamento estratégico os novos formatos de família no Brasil e as inovações na maneira de pequenos lojistas atuarem em conjunto foi o tema central do talk-show moderado pelo jornalista Heródoto Barbeiro, da TV Cultura e da rádio CBN, e que contou com a participação de Stela Susskind, diretora de Planejamento da TNS Interscience, de José Francisco Vieira, do Grupo de Loja Móbile, de Minas Gerais, e do arquiteto e pesquisador da USP, Guto Requena. Stela explicou que, para manter ou fidelizar um cliente, é necessário que as empresas estejam super atentas às necessidades desse comprador, respondendo adequadamente às suas exigências e prestando atenção em detalhes, como a própria abordagem e o retorno às suas solicitações. Vieira mostrou a interessante experiência do Grupo de Loja Móbile, de Belo Horizonte, que começou como uma associação de três lojas, em 1996, e hoje tem 17 associados, com 71 lojas, 600 funcionários, logística e estratégias de marketing e divulgação próprias. "O associativismo funciona e muito bem. O Grupo Móbile é prova disso", disse Vieira.
O formato da família brasileira vem mudando e trazendo novos modelos, completamente diferentes do tradicional pai, mãe e filhos. Há hoje muitas mulheres chefiando sozinhas famílias, casais do mesmo sexo, pessoas morando só, entre diversos outros modelos. Tudo isso, explicou Guto Requena, influencia a forma de morar e, como não poderia deixar de ser, o formato, dimensão e outros detalhes dos móveis. Ao final, Heródoto Barbeiro indagou aos palestrantes sobre questões como a influência desses fatores (atendimento, distribuição, formato familiar) no negócio moveleiro. A resposta foi de que eles influenciam sem dúvida esse mercado e que os fabricantes precisam ficar atentos a essas questões.
Fonte: www.jcorreio.com.br








