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Crise ameaça afetar exportações brasileiras

Para Associação do Comércio Exterior, tendência é de queda dos valores de exportações. Diretor da Fiesp diz que crise nos mercados financeiros pode atingir economia real.

Uma valorização do dólar ante o real não deve beneficiar as exportações brasileiras, segundo o vice-presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, e o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti.

Para eles, a alta da moeda norte-americana, cuja cotação fechou na quinta (15) no nível mais elevado desde março (R$ 2094), não está vinculada ao comércio exterior, mas à crise nos mercados internacionais.

“Obviamente, a valorização do dólar aumenta a rentabilidade a curto prazo, mas, se a taxa de câmbio for acompanhada de uma redução do volume de comércio, essa rentabilidade ganha nesses últimos dias pelo aumento da taxa de câmbio, vai ser comida, ser anulada lá na frente com a redução do volume de comércio”, disse Cavalcanti ao G1.

Neste momento, segundo José Augusto de Castro, “há uma tendência da queda dos valores das exportações dos produtos, com menor quantidade exportada em função da menor demanda internacional, o que provocaria uma redução das exportações”.

“As exportações em 2007 devem ser afetadas negativamente, mas em um percentual que não se pode precisar. Elas devem ser afetadas porque caindo a cotação das commodities, e as commodities flutuam diariamente, naturalmente cai o ingresso de receitas. Mas as importações em 2007 não devem ter nenhum reflexo”, afirmou o vice-presidente da AEB.

Para Carlos Cavalcanti, da Fiesp, o volume de exportações brasileiras pode ser afetado se a crise se espalhar pela economia real. “Essa crise é uma crise tipicamente de mercado financeiro, mas o problema é saber o quanto a crise no mercado financeiro vai afetar a economia real."
 
Insuficiente

Para o vice-presidente da AEB, a alta do dólar “ainda não anima em termos de exportação”.

“Agora, a taxa de câmbio está menos ruim. Não dá para mudar muita coisa, porque o dólar a R$ 1,80 estava defasado, mas a R$ 2,10 continua defasado. Se tiver reflexos, é mais um reflexo marginal”, disse Castro.

Para o vice-presidente da AEB, a taxa de câmbio ainda está muito longe daquela que espera o exportador. “O ideal seria que o dólar estivesse R$ 2,40, R$ 2,50. Daí começa a mudar o cenário. Para os padrões atuais, R$ 2,40 já seria um bom cenário.”

No entanto, segundo Castro, a valorização ou desvalorização da moeda norte-americana vai depender puramente do mercado internacional. “Esta valorização não está vinculada ao comércio exterior, mas a ações financeiras. São mais fatores externos”, afirmou ele.


Fonte: www.g1.globo.com


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