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CRISE EUROPEIA - Efeitos da crise no Brasil e algumas medidas de defesa

A crise europeia não causará abalos importantes na economia brasileira, embora seja impossível fugir a seus efeitos nocivos se o pacote quase trilionário lançado pelos países da zona do euro acabar fazendo água a curto prazo.

O pânico da quinta-feira, quando todos os mercados desabaram, deu uma ideia de como o país pode ser contagiado pela derrocada da confiança dos investidores na capacidade de pagamento das nações endividadas da união monetária.

Em primeiro lugar, o dólar valorizou-se 6,5% em uma semana, respondendo à marcha batida apressada de investidores que procuravam a moeda para cobrir perdas em outros mercados e a movimentos defensivos de fuga para a qualidade e abandono dos ativos de maior risco. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, US$ 2 bilhões saíram correndo do país mas, ainda assim, a desvalorização do dólar teve um forte componente especulativo. Dados do Banco Central divulgados ontem registram um fluxo cambial positivo, com ingresso líquido de US$ 3,7 bilhões na primeira semana de maio, quando a crise atingiu um pico.

Se a crise europeia piorar, é possível esperar novos movimentos altistas no dólar, o que pode até agradar aos exportadores depois de uma longa dieta de câmbio valorizado, porém trará alguns problemas para a política monetária. A inflação, pelas projeções do mercado, começa a apontar para a casa dos 6% e os preços dos bens importados hoje jogam no sentido contrário a uma escalada de preços. Com as importações avançando a um ritmo de 40%, a valorização da moeda americana obrigaria o Banco Central a usar parte de suas reservas de US$ 250 bilhões para impedir a alta do dólar, o que ele até agora tem evitado, ou a aumentar além do esperado inicialmente a taxa de juros no ciclo de aperto monetário já iniciado. Com o euro sob pressão por um bom tempo, a tendência do dólar é de fortalecimento gradual, se os mercados não desandarem. A economia brasileira dá sinais de superaquecimento e um revigoramento do dólar vem fora de hora e pode acelerar a inflação.

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Fonte: Valor Econômico / www.global21.com.br - 14/05/2010

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