Crise limita crédito ao exportador
A crise financeira internacional, que assola os mercados a pouco mais de um ano, começou a provocar estragos para o exportador brasileiro.
O que mais preocupa este setor é a escassez nas linhas de crédito, uma vez que as empresas trabalham com o chamado adiantamento de contrato de câmbio (ACC) - que consiste na antecipação total ou parcial de recursos financeiros, em moeda nacional, até 180 dias antes do embarque, de forma a ter o capital de giro para compra da matéria-prima e cobrir os custos com produção.
Além da disponibilidade de recursos ter recuado para níveis muito baixos, os poucos que sobraram, estão disponíveis a taxas muito elevadas e com prazos reduzidos em comparação ao período anterior à crise.
Com o ACC escasso, pequenas e médias companhias não estão tendo acesso a esse crédito, o que limita o poder de manobra das empresas, tornando-as mais fragilizadas em relação à sua atividade exportadora.
O vice-presidente de finanças do Banco do Brasil (BB), Aldo Mendes, afirma que esta crise está causando uma envergadura nos mercados e isso traz impacto para todos, porque tende a provocar recessão nos países ricos e diminuição global do consumo. Mas apesar dos problemas, Mendes afirma que o banco está conseguindo lidar com a crise. "O que ajuda o BB é a captação em dólar em fontes variadas. O dinheiro ralo é o que vem dos bancos, mas o BB também capta via pessoa física no exterior", destaca. "Por isso, estamos conseguindo atender cerca de 80% dos nossos clientes, mas claro, não com o lote demandado".
No segmento, são duas as conseqüências deste cenário para as empresas: Elevação nos custos e menor volume de vendas. "Mas há alguns companhias que conseguem repassar no preço e outras que tinham gordura para queimar. E estas não estão sofrendo ainda com a crise", avalia Mendes.
Para ele, os problemas são passageiros. "Agora está olhando para ver a tendência. Se a duração for curta, o mercado tende a absorver e se estabilizar, mas se for longa, trará impactos maiores para a atividade", frisa. Por isso, a política do Banco Central (BC) de vender dólares ao mercado têm sido fundamental para sustentar a liquidez por aqui.
(Simone e Silva Bernardino)
Fonte: www.investnews.com.br








