Crise põe o Brasil na mira da China
O setor moveleiro também deve sofrer maior concorrência chinesa.
Com a zona do euro oficialmente em recessão e a economia norte-americana seguindo pelo mesmo caminho, o Brasil deverá ganhar ainda maior participação nas vendas chinesas acreditam as fabricantes de têxteis, eletroeletrônicos, móveis e calçados. Mesmo com o câmbio desvalorizado, o que encarece as importações, a queda na cotação das commodities e no preço da energia na China, assim como os estoques mais altos, podem pressionar os preços para baixo, favorecendo os embarques, disse Kevin Tang, diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC).
O executivo estima que as compras brasileiras no mercado chinês vão crescer até 20% no próximo ano e sobre uma base de alta já expressiva. De janeiro a outubro as compras brasileiras na China subiram 66,5%, para aproximadamente US$ 16 bilhões "O custo de produção na China deve cair", disse. "Vai haver uma grande mudança no eixo de consumo. Com a desaceleração na Europa e nos Estados Unidos a China vai buscar outros mercados", afirmou.
Entre os setores que podem ampliar os embarques para o Brasil o diretor da CCIBC citou eletroeletrônicos, vestuários, brinquedos e siderurgia.
O setor eletroeletrônico, que já perdeu a produção de DVDs e áudios de pequeno porte para os importados, não quer perder competitividade com produtos como televisores e áudio de grande porte. "Existe um risco muito grande. Precisamos fazer uma reavaliação e eleger prioridades", diz um executivo do setor eletroeletrônico que prefere não ser identificado. Segundo ele, países como os Estados Unidos, por exemplo, abriram mão da produção de televisores, rádios e microondas e focaram em componentes de alto valor agregado, deixando a produção para os asiáticos. Estratégia semelhante poderia ser utilizada no Brasil. "Precisamos definir o que vamos abrir para importação e o que vamos manter forte."
Móveis
Para José Luiz Diaz Fernandez, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel), o setor também deve sofrer maior concorrência chinesa. As recentes medidas adotadas pelo governo da China que fixam benefícios para vários segmentos industriais exportadores devem incentivar as exportações. "Eles estão entrando muito forte no ramo corporativo, com cadeiras e móveis para escritórios. No residencial ainda não há nenhuma representatividade, mas é bom ficar atento ao mercado", disse o dirigente, que retornou recentemente de uma viagem ao país asiático.
A China é o segundo maior exportador mundial de móveis, com participação de 18,9% no comércio total, de acordo com o Relatório Setorial da Indústria de Móveis no Brasil, elaborado pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi). Em 2007, o país asiático movimentou US$ 17,5 bilhões de um total de US$ 90 bilhões, sendo que R$ 14,8 bilhões, ou 88% das exportações chinesas, tem como destino os Estados Unidos.
Fonte: (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 1)(Wilson Gotardello Filho, Caio Cigana, Guilherme Arruda e Juliana Wilke)








