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Dólar e a política industrial

A política industrial anunciada ontem pelo governo mostra uma atenção especial à necessidade de incentivar as exportações. Trata-se, sem dúvida, de uma necessidade, tendo em vista a crescente desvantagem cambial das empresas brasileiras em relação a seus concorrentes. Os números da balança comercial mostram esse impacto, embora seja necessário ressaltar que a greve dos auditores da Receita teve influência direta nos resultados, principalmente em abril.

Os exportadores certamente poderão recuperar parte de sua competitividade com as medidas. No entanto, persiste o problema do câmbio, no qual por enquanto não se pensa em mexer, garantiram os ministros responsáveis pelo anúncio do pacote. Mexer no câmbio requer, sempre, cuidados especiais, pelos efeitos que a política cambial tem sobre toda a economia.

Não se pode mudar a estratégia para o câmbio a toda hora, nem tomar medidas sem antes dedicar prolongado estudo sobre suas conseqüências. No entanto, é inquestionável que a indústria brasileira vem perdendo, há tempos, vários mercados no cenário internacional com a valorização do real em relação a outras moedas, principalmente o dólar. É uma perda que precisa ser levada em conta, pelos prejuízos que pode trazer a longo prazo. Recuperar mercados é muito mais difícil do que conquistá-los. Daí a importância de fazer mudanças, ainda que pontuais, na política cambial.

O exportador sente-se, a partir da nova política industrial, mais bem posicionado, com aumento do volume de empréstimos para o setor (que terá R$ 1,3 bilhão este ano) e maiores prazos de financiamento de bens para setores importantes como têxtil, madeireiro, moveleiro e calçadista. Também é positiva a anunciada equalização dos juros para 7% ao ano e a desoneração tributária representada pela suspensão do pagamento de PIS e Cofins para compra de insumos destinados à industrialização de bens exportados. São notícias positivas, mas sem mexer no câmbio não será possível dar o necessário impulso às exportações. Existem ferramentas para fazer alterações, e não são poucas. Trata-se de optar pelas que são mais adequadas. Sem medidas nessa direção, haverá um alívio, mas as soluções efetivas permanecerão em aberto.

 Fonte: www.dci.com.br

    

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