Dólar é retirado gradualmente do comércio entre Brasil e Argentina
Sem alarde, a eliminação do dólar no comércio entre a Argentina e o Brasil já foi adotada por 120 empresas desde que a proposta entrou em vigor, em 1 de outubro do ano passado.
Segundo uma fonte do Banco Central da Argentina, o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SPML) começou a ser experimentado em operações de US$ 10 milhões, mas as empresas que provaram acabaram repetindo a modalidade de usar pesos ou reais em suas transações.
As companhias que usaram o sistema são dos setores têxtil, alimentício e automobilístico, além de supermercados e exportadoras de grãos. Para surpresa de técnicos do BC e de economistas céticos quanto à proposta, o sistema de pagamentos em moeda local já recebeu operações de multinacionais instaladas na Argentina, como a Honda, que importa autopeças, automóveis e motos do Brasil. "A Honda já fez várias operações usando as moedas locais", disse a fonte.
Nesses seis meses de sistema, o volume total de operações chega a 40 milhões de pesos (cerca de R$ 23,74 milhões). As importações e exportações são negociadas com um prazo maior e somente quando forem concluídas será possível ter o volume exato do que foi operado nesse período. "Em se tratando de comércio entre a Argentina e o Brasil (que chegou a US$ 30 bilhões em 2008), o volume não é tão grande assim, mas se levarmos em conta que o mecanismo foi lançado simultaneamente ao agravamento da crise internacional, podemos dizer que estamos em um bom caminho", argumentou.
Defensores do sistema, os presidentes dos bancos centrais dos dois países, Henrique Meirelles e Martín Redrado, afirmam que a vantagem de eliminar o dólar destas operações é a redução dos custos financeiros e operacionais. Em vez de fazer duas conversões monetárias, de pesos a dólares, dólares a reais, ou vice-versa, é feita somente uma conversão: peso para real ou real para peso. Além disso, a operação economiza também comissões pagas ao banco intermediário que faz a operação. Para tanto, as autoridades monetárias fixam uma paridade diária entre o peso e o real. Na Argentina, 21 bancos estão autorizados a fazer esse tipo de operação.
No Brasil são 18 instituições financeiras.
Ontem, o presidente do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, disse que não espera mudança na posição de domínio global do dólar como moeda de reserva. "A dívida do governo dos EUA ainda é um ativo atraente para países emergentes", afirmou. Segundo ele, a melhor forma de assegurar um dólar forte é manter a economia consolidada.
Fonte: http://jcrs.uol.com.br








