Dólar fecha maio com maior alta mensal desde setembro de 2002 - 31/5/2006
Analistas dizem que o humor do mercado a partir de agora vai ser ditado pelos indicadores de inflação que saírem, pois o seu comportamento determinará novas elevações ou uma pausa no ciclo de aumentos.
O dólar comercial iniciou a quarta-feira em queda mas mudou de tendência à tarde e fechou a R$ 2,324, com alta de 0,6%. A moeda norte-americana, que teve hoje a terceira alta consecutiva, acumula valorização de 11,3% em maio. Às 17h10, o risco Brasil caía 0,24%, a 268 pontos, e a Bovespa tinha alta de 0,75%, aos 36.688 pontos.
A atuação do Banco Central no câmbio pouco mexeu com as cotações. O BC realizou das 12h às 13h mais uma venda de contratos de swap cambial para instituições financeiras credenciadas. Pela operação, o BC dá a variação da taxa de câmbio no período e recebe juros, o que na prática equivale a uma venda de dólares pelo BC no mercado futuro. Dessa forma, quem tem medo de que as cotações subam muito fica protegido.
Foram vendidos 8 mil contratos, com volume financeiro de US$ 399 milhões, mesmo resultado de ontem, quando a operação voltou a ser realizada depois de dois anos.
O mercado financeiro esperava que a ata da última reunião do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), divulgada no meio da tarde, dissipasse um pouco das incertezas a respeito do rumo da taxa de juros dos Estados Unidos. Porém, a autoridade monetária também mostrou não saber se mais aumentos serão necessários nem o tamanho deles.
Analistas dizem que o humor do mercado a partir de agora vai ser ditado pelos indicadores de inflação que saírem, pois o seu comportamento determinará novas elevações ou uma pausa no ciclo de aumentos --o último, de 0,25 ponto percentual, para 5% ao ano, foi o 16º consecutivo.
Quando os juros norte-americanos sobem, provocam uma fuga de capitais de mercados emergentes, como o brasileiro, para ativos mais seguros, por exemplo os treasuries (títulos do Tesouro dos EUA). Esse movimento foi nítido nos últimos dias, causando forte nervosismo.
"Ainda há potencial para volatilidade, mas é preciso ressaltar que o recente mau humor foi exagerado", afirma Jason Vieira, economista da consultoria GRC Visão. "Uma correção de preços era natural depois que, no início de maio, a Bovespa se aproximou dos 42 mil pontos e o dólar caiu para o nível de R$ 2,05, porém houve um excesso."
Agora as atenções se voltam para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) a respeito da Selic, que sai à noite --a expectativa dos analistas é de mais um corte de 0,5 ponto percentual da taxa.
Fonte: www.folha.uol.com.br








