Dólar perdeu 31% desde 2002
Moeda ainda pode se desvalorizar de 8% a 10% em termos reais, calcula Kenneth Rogoff, ex-economista do FMI.
Apesar da grande queda sofrida desde 2002, o dólar ainda não chegou ao fundo do poço, de acordo com importantes analistas da economia internacional. Desde abril de 2002, o dólar já se desvalorizou 23,2% ante uma cesta das moedas dos seus parceiros comerciais, ponderada pelo peso de cada um no comércio com os Estados Unidos. Contra as principais moedas do planeta, o dólar perdeu 31,2% do seu valor no mesmo período.
Em relação ao real, a taxa de câmbio do dólar saiu de um pico de quase R$ 4 em 2002 para R$ 1,74 atualmente, o que significa que a moeda americana se desvalorizou 56% no período (e o real valorizou-se 129%). Essa trajetória esteve muito ligada à estabilização da economia brasileira e à imensa queda no risco Brasil, que reforçaram o real.
A valorização mais recente da moeda brasileira, porém, especialmente em 2007, parece ser, como diz Gino Olivares, economista-chefe do Opportunity Asset Management, "muito mais um fenômeno global do dólar do que algo relacionado ao real".
A grande desvalorização da moeda da maior potência do planeta vinha sendo prevista há cerca de uma década, em função do aumento avassalador do déficit em conta corrente americano, que atingiu US$ 811,5 bilhões em 2006. Em recente trabalho, Rogoff nota que a situação atual não tem precedentes históricos, pois o déficit em conta corrente americano é mais do que o dobro da soma dos déficits de todos os países que têm conta corrente devedora.
China
A resistência da China em deixar seu câmbio valorizar-se mais rapidamente é um dos fatores, segundo Rogoff, que fazem com que as taxas de câmbios contra o dólar de países de regime flutuante, como o Brasil, experimentem um "overshooting" - isto é, valorizem-se de forma muito intensa e muito rápida, e para níveis que podem não ser sustentáveis no longo prazo.
Setser observa que, apesar de o déficit externo americano com a Europa, Canadá e América Latina estar caindo, ainda está em expansão em relação às economias asiáticas e aos países exportadores de petróleo.
Outra preocupação dos especialistas é a de que a resistência chinesa a participar da redução do déficit em conta corrente americano (isto é, a China valorizar sua moeda e reduzir o seu superávit externo) leve a uma onda internacional de protecionismo, em um momento no qual a Rodada Doha de negociações comerciais já passa por enormes dificuldades.
Fonte: www.estadao.com.br








