Economia começou a desacelerar em abril
A economia brasileira registrou crescimento de apenas 0,1% em abril deste ano em relação a março. O resultado, que já está livre das influências sazonais, indica que a atividade econômica iniciou o segundo trimestre em processo de desaceleração, segundo pesquisa da Serasa Experian. O segundo trimestre deve ser marcado por um ritmo menor de crescimento em relação ao verificado nos primeiros três meses do ano. A desaceleração está ligada à retirada de estímulos fiscais para compra de veículos e eletrodomésticos, aos cortes anunciados no Orçamento da União e aos efeitos da alta da taxa básica de juros.
Nos três meses encerrados em março, conforme o indicador da Serasa Experian, a taxa de expansão da economia foi de 2,7%. Com o resultado divulgado ontem (28/6), o acumulado dos três meses encerrados em abril revela crescimento menor, de 2,4%. Pelo ponto de vista da oferta, o crescimento do setor de agropecuária foi de 3,7% em abril ante março. Já a indústria registrou queda de 1,8%, enquanto o setor de serviços teve baixa de 0,1%. Pelo lado da demanda, houve baixa de 0,9% no consumo das famílias em abril. Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) caíram 3,6%, as exportações de bens e serviços recuaram 0,6% e as importações caíram 2,6%. O consumo do governo foi o único item da demanda que apresentou alta em abril ante março, de 0,6%.
Em relação a abril do ano passado, houve crescimento de 8,8% da economia brasileira em abril de 2010. Com isso, a alta acumulada da atividade econômica é de 8,9% de janeiro a abril deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, conforme o indicador da Serasa Experian. Nos 12 meses encerrados em abril, o crescimento acumulado é de 3,4%.
BC antecipa para outubro o fim do aperto monetário
Analistas anteciparam parte do cronograma esperado para o comportamento da taxa Selic nos próximos meses. Os números apresentados na pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central (BC), mostram que o atual ciclo de aumento do juro pode acabar em outubro e não mais em dezembro. Mas, ao mesmo tempo, continua a expectativa de que uma nova alta pode acontecer no início de 2011.
De acordo com o levantamento, a Selic deve subir 0,75 ponto percentual nos encontros de julho e setembro. Assim, atingiria 11% no dia 21 de julho e 11,75% em 1 de setembro. Em seguida, haveria uma nova alta menor, de 0,25 ponto, para 12% no encontro de 20 de outubro. Na semana passada, o mercado previa taxa estável em outubro e um aumento idêntico - de 0,25 ponto, para 12% - apenas no encontro de dezembro. Com a antecipação feita na pesquisa divulgada ontem, analistas passaram a prever taxa estável em 12% ao final da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 8 de dezembro.
Assim, a taxa termina 2010 em 12% ao ano, mesmo nível previsto na pesquisa divulgada na semana passada. Para 2011, houve movimento semelhante de antecipação de alta. A pesquisa mostra que o juro deve subir novamente 0,25 ponto percentual no encontro que acontece em janeiro de 2011, o que elevaria a taxa para 12,25% anuais. Na semana passada, esse aumento era esperado para março. Após essa única alta, a taxa deve manter-se no mesmo patamar pelos meses seguintes.
Na mesma pesquisa, analistas apostam que a taxa deve iniciar o ciclo de queda em agosto do ano que vem, quando cairia 0,25 ponto, para 12%. Em seguida, nova queda para 11,75% em outubro de 2011. Mas o mercado reduziu a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010, de 5,61% para 5,55%. Há um mês, analistas previam alta de 5,67% para o índice oficial de inflação. Para 2011, a mediana seguiu em 4,80%, pela 11ª semana seguida. Nos dois casos, a estimativa do mercado é superior ao centro da meta de inflação, que é de 4,5% para os dois anos.
Para CNI, elevar juros é contrassenso quando se olha a inflação recente
O Banco Central, ao aumentar a taxa básica de juros, caminha no contrassenso da economia e da visão que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem sobre o comportamento da inflação. A avaliação é do presidente da entidade, Robson Braga de Andrade. Para ele, não há necessidade de a autoridade monetária elevar a taxa de juros porque a meta de inflação para este ano, de 4,5%, deverá ser cumprida sem grandes dificuldades, o que não justificaria o aumento da Selic.
"A perspectiva que a gente tem é diferente daquela do Banco Central", disse o executivo, acrescentando que a CNI não enxerga riscos de elevação da inflação. Segundo ele, o que se registrou de aumento de preços no começo do ano estava relacionado a questões sazonais, como itens da produção agrícola. Agora, no entanto, na avaliação de Andrade, "o que se vê é que a partir do segundo trimestre os preços voltaram ao nível adequado e a meta de inflação será cumprida sem nenhuma dificuldade."Quando se diz que a indústria está perto da utilização total da capacidade produtiva instalada, de 82% a 85%, os analistas se esquecem de considerar os ganhos de produtividade. Andrade acrescentou que sem o risco de aumento da inflação, o País deveria estar com juro real de 3,5% e uma taxa nominal de 8%.
Fonte: http://jcrs.uol.com.br - 29/6/2010








