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Empresariado avalia medidas para conter desvalorização como corretas, mas muito tímidas

Reforma tributária e exoneração são apontadas como ações necessárias para recuperar exportações.

Não houve empolgação dos exportadores sobre as medidas cambiais anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na quarta-feira (12), para tentar conter a desvalorização do dólar. A maioria das opiniões dá conta de que o governo está na direção certa, já que taxou as aplicações em moeda estrangeira que não são consideradas investimentos, uma reivindicação antiga do empresariado. Porém, mesmo que o câmbio fosse controlado, as exportações precisam de outro tipo de proteção, como uma reforma tributária coerente, afirmam.

- Acho que essa é a (medida) que terá mais efeito. Há dois anos falamos sobre isso com o governo, e nos disseram que não seria possível porque o país perderia investimentos - conta o vice-presidente Corporativo da Marcopolo, José Fernandes Martins, referindo-se à taxação das aplicações externas.

- Sempre surte algum efeito. A taxação do capital estrangeiro com IOF vai ajudar. Pode ser uma compensação para desonerar mais o setor (moveleiro) - completa a presidente da Associação dos Fabricantes de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Maristela Cusin Longhi.

Por outro lado, o efeito conjunto das medidas deverá ser muito pequeno na prática. O diretor superintendente do grupo Randon, Erino Tonon, diz que as medidas limitam-se a estar na direção certa.

- Para uma empresa brasileira que exporta, o que significa deixar os dólares lá fora? A gente precisa do dinheiro aqui. A impressão para quem está na trincheira das exportações é que isso é um jogo para a platéia - provoca.

A desvalorização do dólar começou há cerca de três anos. O diretor de Negócios Internacionais da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, Plínio Mioranza, entende que as medidas, mesmo necessárias, vieram muito tarde.

- Demorou para o governo ver esse lado machucado (da economia). Agora, tem que continuar nessa linha, mas avançar mais - atesta.

Quanto à eliminação da cobertura cambial, o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Paulo Tigre, explicou que produzirá impacto apenas sobre as empresas que fazem transações comerciais de exportação e importação simultaneamente.


AS MEDIDAS
- Retirada do IOF sobre exportações: operações de câmbio de vendas para o Exterior não pagam mais os 0,38% do Imposto sobre Operações Financeiras
- Eliminação da cobertura cambial: fim da obrigação de trocar 70% dos dólares faturados com vendas no Exterior por reais
- Cobrança de IOF sobre capital especulativo: aplicações em moeda estrangeira que não possam ser considerados investimentos produtivos serão taxadas em 1,5% de IOF
Desvalorização
- Quando aplicada a deflação no dólar e no real por índices de preços do atacado, a moeda americana valeria o equivalente a R$ 0,60 na época da estréia do real, em julho de 1994. Seria o valor mais baixo em toda a história, conforme cálculos do economista Fausto Vieira, da Rio Bravo Investimentos
Cotação
Ontem o dólar fechou em alta de 1,07%, fechando a R$ 1,6920. No entanto, desde o início do ano, a moeda americana acumula desvalorização de 4,67%.


REPERCUSSÃO
- As medidas são positivas e necessárias, mas são insuficientes e tardias. Talvez, passo a passo, a gente chegue lá.
Plínio Mioranza, diretor de Negócios Internacionais da CIC.

- São medidas na direção correta, mas temos que dar a verdadeira dimensão. Se eles (o governo) disserem que isso foi uma gota do conta-gotas, aí sim.
Erino Tonon, diretor superintendente do grupo Randon
- Não vai resolver o problema, mas é um início de ajustes, Maristela Cusin Longhi, presidente da Movergs.

- Se falar em competitividade, o maior problema é a reforma tributária. (...) Isso aliado ao câmbio, tirou a vontade do exportador de exportar.
José Fernandes Martins, vice-presidente Corporativo da Marcopolo.

- O grande ganho talvez tenha sido o reconhecimento das dificuldades do setor. É bom ver o governo em estado de alerta.
Oscar Azevedo, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs).

- (A decisão terá) efeitos muito mais na redução de custos de transação e na facilidade de uso da moeda americana por parte dos exportadores e importadores, ou seja, pouco influirão na mudança da trajetória da taxa de câmbio. Paulo Tigre, presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).


Fonte: http://www.clicrbs.com.br/jornais/pioneiro

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