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Empresas apelam a empréstimo para pagar o 13º salário

O fim do ano se aproxima, e com ele uma série de contas a pagar. Assim como no ambiente familiar, no mundo corporativo essa é uma época de planejamento e aquisições, o que pode demandar um volume de recursos superior ao que, de fato, existe em caixa. Entre as principais despesas do período, o 13º salário dos colaboradores figura no rol das que não podem ser deixadas para depois. E ainda que seja um gasto inevitável, muitas empresas se veem sem condições viáveis para o pagamento. Nesse contexto, a contratação de financiamentos pode ser uma saída.

Em alguns casos, a prática se torna recorrente, levando muitas companhias a optar pelos empréstimos anualmente. O gerente de mercado de pessoa jurídica do Banco do Brasil (BB), Ingo Homrich, relata que a instituição tem clientes que se enquadram na situação, principalmente pequenas e médias empresas, hoje um dos públicos prioritários da linha BB Giro 13º Salário. Ele destaca que em agosto já recebem contato de pessoas jurídicas interessadas no financiamento. "Com o passar do tempo, isso vai entrando em um fluxo rotineiro, pois o empresário conta com essa possibilidade", afirma. O dirigente revela que, mesmo sem um levantamento oficial, o índice de inadimplência é baixo.

No BB, 100% do valor da folha de pagamento pode ser financiada, com taxas de juros que variam de Taxa Referencial (TR) mais 1,89% ao mês a, no máximo, TR mais 2,32% ao mês. Há, também, a possibilidade de reduzir os juros a TR mais 1,39% ao mês, com a vinculação do contrato ao Fundo Garantidor de Operações, que aumenta em 80% as garantias do empréstimo. "O prazo para empresa pagar e restituir essa linha foi esticado pra 13 meses", diz Homrich. Ele lembra que, mesmo correndo o risco de ainda estar pagando quando precisar de um novo empréstimo, essa é uma possibilidade de diluir o valor das parcelas, que podem começar a ser pagas até 59 dias após a contratação.

Algumas linhas de crédito dispõem de recursos de maneira mais ampla no período, devido à necessidade de capital de giro para custear investimentos, otimizar o fluxo de caixa e - ainda - pagar o 13º salário. É o caso do Santander, com seu produto SuperGiro Premium, criado em 2008. Desde julho, R$ 12 bilhões foram injetados apenas em linhas para capital de giro. No Santander, o prazo para quitar o empréstimo também foi ampliado, podendo chegar a 36 meses. "Esse ano em particular fizemos um upgrade na família Premium, que são as linhas com bonificação de parcelas e que estão tendo uma excepcional aceitação", afirma o superintendente-executivo de Pequenas e Médias Empresas do Santander, Mário Fanucchi Junior.

Com juros a partir de 1,90% ao mês, o Banrisul também oferece uma oportunidade a empresários que precisam de recursos para o 13º salário. O diretor de crédito da instituição, Bruno Fronza, ressalta que muitas vezes o crédito é o responsável pelo cumprimento da lei por parte do empresariado. "O financiamento do 13º salário possibilita cumprir o pagamento no prazo legal, que é até 20 de dezembro de 2010", reforça. Dessa forma, conforme o dirigente, é possível manter o negócio ativo e produtivo em um período de alta demanda. Mesmo sendo uma opção para quem não planejou a verba, ou necessita custear investimentos, o uso de linhas de créditos nesse período é acompanhado de algumas ressalvas. O professor de economia da Pucrs Adalmir Marchetti sugere que a contratação de empréstimos deve ser o último recurso procurado por pessoas jurídicas. Uma das opções é aproveitar meses de melhor desempenho para planejar os gastos com o 13º salário.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br - 13/10/2010

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