EUA e Japão são mais fechados que o Brasil
O Brasil ocupa o 66º lugar na lista de 68 países com maior abertura comercial, à frente dos Estados Unidos (67º) e do Japão (68º), segundo estudo da FGV.
A comparação foi feita com base na soma de exportações e importações de bens e serviços dividida pelo Produto Interno Bruto (PIB) de cada país entre 2003 e 2005, explicou o autor do estudo. No caso do Brasil, essa relação é de 34,73%, bem abaixo da média mundial no período, que foi de 89,14%.
Em Hong Kong, que ocupa o primeiro lugar, a soma de exportações e importações dividida pelo PIB supera 350%. Hong Kong adota a prática de importar para reexportar após elaborar mais o produto, adicionando valor, ganhando com a diferença. "O Brasil deveria fazer isso também", disse Cysne.
De acordo com ele, na economia americana, o grande comércio interno entre os seus 50 Estados compensa a reduzida abertura comercial exibida por este indicador. Mas, de maneira geral, destacou, o principal efeito negativo de ser uma economia fechada é sobre o crescimento econômico.
"Uma baixa relação entre as exportações e importações e o PIB restringe o crescimento porque faz com que o país se beneficie dos ganhos do comércio bem menos do que poderia e do que se beneficiam outras economias que competem com o Brasil", avalia.
O economista acredita que o Brasil deveria estimular o investimento e a abertura comercial simultaneamente, por meio do incentivo à importação de máquinas, equipamentos e tecnologia. Ele cita o exemplo do Chile, que está modernizando o parque produtivo com importações selecionadas. Para ele, o risco da abertura é o crescimento das importações ser direcionado para o consumo.
Crescendo
A abertura comercial brasileira está aumentando, mostra estudo do assessor da Presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Fernando Puga Pimentel. O mercado externo aumentou sua participação como destino da produção doméstica de 19% para 27% entre 2002 e o ano passado.
No mesmo período, as importações aumentaram sua proporção no consumo aparente no Brasil de 17% para 20%.
Pimentel registrou no boletim Visão do Desenvolvimento que o aumento das exportações entre 2002 e o ano passado foi generalizado e em maior grau nos setores de indústria extrativa, madeira, material eletrônico e comunicações.
Os dados que Pimentel encontrou sugerem que o aumento das importações em setores como material eletrônico e de comunicações está ligado ao aumento das exportações de forma que parece semelhante ao modelo de Hong Kong.
Em máquinas e equipamentos e veículos automotores, as importações brasileiras podem estar também ampliando as exportações, mas pela lógica da especialização, com o Brasil exportando determinando tipos de produtos e importando outros.
Fonte: O Estado de São Paulo








