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Exportadores cobram créditos do Estado

O prazo de mais de um ano para o governo liberar os créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) provoca recusa de fornecedores em aceitar o recurso no pagamento de matérias-primas e ameaça o desempenho nas vendas.

O parcelamento da quitação dos créditos de exportações da petroquímica Braskem, decisivo na conquista da fábrica de plástico verde pelo Estado, gerou expectativa de que o modelo de negociação seja estendido a outros exportadores gaúchos.

Dirigentes de móveis e couro apostam que o tratamento dispensado à Braskem alivie o passivo hoje avaliado em R$ 100 milhões - R$ 85 milhões das empresas coureiras e quase R$ 10 milhões das moveleiras.

Para os dois segmentos, a cifra total (bem abaixo dos R$ 340 milhões que serão liberados em 42 parcelas para a petroquímica) seria um facilitador em um eventual acordo.

A meta também é conseguir acordo setorial, e não de empresa a empresa, como é hoje. A presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), Maristela Longhi, reclama do silêncio dos interlocutores nas secretarias estaduais da Fazenda (Sefaz) e do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai).

Sucessivas reuniões e documentos enviados aos dois órgãos desde março não teriam tido resposta, criticou a dirigente. Maristela adiantou que os moveleiros querem agora tratar do futuro da liberação dos créditos diretamente com a governadora Yeda Crusius.

"Ela tem de ser sensível à nossa situação. Não é justo que apenas o setor exportador pague a conta do ajuste fiscal. Vamos aumentar a mobilização caso não tenhamos sucesso na negociação", desabafou a presidente da Movergs. O setor não descarta protestos em Porto Alegre, como forma de pressão. Uma audiência com Yeda está sendo buscada pela Frente Parlamentar em Defesa dos Setores Coureiro-calçadista e Moveleiro.

A expectativa recai também sobre as definições do Conselho de Competitividade, o Compete RS, que dá a palavra final sobre a liberação dos recursos. Maristela recorda que o parcelamento chegou a ser cogitado quando o deputado federal Nelson Proença era o titular da Sedai. "Com a troca do comando da secretaria, tudo foi paralisado. Agora, cada mês que passa o prazo para compensar o valor é maior", lamentou a presidente da Movergs.

16/6/2008 - Patrícia Comunello

Fonte: Jornal do Comércio RS


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