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Exportadores terão desoneração tributária, diz Bernardo

"Teremos incentivos extras para o setor exportador, com o objetivo de estimular investimento e pesquisa e o desenvolvimento tecnológico", afirmou o ministro.

Os exportadores brasileiros serão beneficiados nos próximos dias por um plano de desoneração tributária, segundo informou no domingo, 6, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, após fazer palestra no IIF Latin America Economic Fórum, um evento que ocorre paralelamente à 49ª Reunião Anual de Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizada em Miami, Estados Unidos. "Teremos incentivos extras para o setor exportador, com o objetivo de estimular investimento e pesquisa e o desenvolvimento tecnológico", afirmou. "Se eu falar mais, o presidente Lula não terá o que anunciar nos próximos dias", disse.

As medidas adiantadas pelo ministro fazem parte da segunda fase da política industrial, que deveria ter sido implantada no final do ano passado, mas acabou sendo suspensa por conta da não-aprovação da continuidade da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que gerava receitas para o governo da ordem de R$ 40 bilhões. Bernardo negou, no entanto, que as medidas na área cambial façam parte dessa fase da política para os exportadores, ainda que tenha admitido a possibilidade de algumas alterações isoladas. "Não há nada previsto na área cambial. No câmbio, o que se admite é fazer algum ajuste pontual", disse, deixando claro que se referia a uma possibilidade. O discurso está em linha com o do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que na véspera, também em Miami, chamou de apenas um exercício teórico.

De acordo com o ministro, a alteração no câmbio será na mesma linha da mudança na cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no início deste ano. "Sabemos que medidas como esta, apesar se não serem diretamente ligadas ao câmbio, acabam tendo interferência no comércio exterior", afirmou.

 
Inflação

As medidas que fazem parte da segunda fase da política industrial têm como objetivo, de acordo com Bernardo, incentivar a produção industrial do Brasil. Questionado se o modelo para estimular a atividade brasileira estaria relacionado a uma preocupação do governo quanto ao estreitamento do hiato do Produto Interno Bruto (PIB) - diferença entre a taxa de crescimento potencial e a verificada -, o que poderia pressionar mais a inflação, o ministro foi taxativo: "Claro! Sempre estivemos preocupados com isso."

Ainda sobre a inflação, o ministro explicou que a meta de ampliar a participação do crédito total do País em relação ao PIB de 34% no ano passado para 50% em 2010 não necessariamente terá efeitos malignos sobre os índices de preços. "A política de crescimento de crédito, como um todo, não é incompatível com o controle da inflação", argumentou. Segundo ele, apesar de o crédito ter triplicado nos últimos anos, a inflação não subiu no mesmo ritmo e a inadimplência também não aumentou.
 
Estadão

Fonte: www.camera2.com.br/

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