Fabricantes querem linha de crédito para compra de móveis
Os fabricantes de móveis vão encaminhar ao governo federal um pedido para criação de uma linha de financiamento destinada especificamente a compra de mobiliário para pessoas de média e baixa renda que estão adquirindo ou reformando imóveis.
O valor viria de um percentual - não definido - do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a Construção Civil. A Associação Brasileira dos Fabricantes de Mobiliário (Abimóvel) sugere o montante de R$ 5 bilhões, e juros ao redor de 11% ao ano. "É um bom número", disse a este jornal o presidente da entidade, José Luiz Dias Fernandez.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem uma linha que possibilita o parcelamento de imóveis entregues com mobília.
O dirigente informou que o encaminhamento deste pleito será conduzido pela Frente Parlamentar do Setor Coureiro Calçadista, Têxtil e Moveleiro. Ainda não há data para a oficialização do pedido. Sem contar com estes recursos, Fernandez disse que o setor vai fechar 2008 com crescimento de, pelo menos, 10% em comparação ao desempenho de 2007, chegando próximo de R$ 21 bilhões. No ano passado, alta foi de 7% em relação a 2006.
Mercado
"Diversas fábricas estão direcionando parte significativa da exportação para o mercado interno. No pólo de Santa Catarina isto é bem visível", disse o presidente da Abimóvel, acrescentando: "Este pode ser o nosso grande ano".
Uma das preocupações dos fabricantes no momento, porém, é a possibilidade de escassez de alguns modelos de chapas de madeira. "O pessoal da construção civil está usando muito o MDF com textura e, com isso, absorvendo parte da produção", afirmou a presidente da Associação dos Fabricantes de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Maristela Longhi.
"Se acontecer crescimento superior a 10% neste ano, é bem provável que haja necessidade de medidas emergenciais, como revisão para cima das cotas de compra da Argentina ", exemplificou a dirigente gaúcha. "Existe o recurso de importar as chapas da China, embora eles ainda pequem pela qualidade e a demora", disse Maristela Longhi, ressaltando, no entanto, que o preço é o fator mais atraente.
Investimento
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (Abipa) nos últimos dez anos o setor investiu US$ 1,3 bilhão em modernização e atualização tecnológica e projeta recursos da ordem de US$ 1,1 bilhão para os próximos três anos na ampliação da capacidade das unidades de MDF (antigo aglomerado)e de MDP (chapa de média densidade), e ainda na expansão das áreas de reflorestamento. A capacidade nominal instalada anual passará de 6 milhões de metros cúbicos atuais para cerca de 10,2 milhões metros cúbicos em 2010.
Até o final do primeiro semestre está confirmado o início das operações das novas unidades de MDF da Berneck e da Satipel. Em 2009, a ampliação das capacidades das fábricas de MDF da Duratex, de MDP da Satipel em Taquari (RS) e de novas unidades de MDP da Fibraplac (RS), da Berneck (PR) e da Masisa (RS). Também em 2009, a Eucatex irá construir uma nova unidade de HDF em Salto (SP), que também poderá produzir MDF.
Da Ásia surge outra preocupação: o crescente volume de importações, tanto de móveis acabados, como de partes de móveis. No ano passado, foram US$ 295 milhões, 45% acima do montante registrado em 2006. Maristela Longhi, da Movergs, disse que "se não houver mudança na política cambial, que eleve o dólar para a faixa de R$ 1,80 a R$ 1,90, é certo que a taxa de importação vai ficar novamente em 45% (este ano)".
"Até agora vinham peças exóticas, principalmente da Tailândia, Indonésia e China, direcionadas para atender o gosto (e o bolso) da faixa de público da classe A. Isto está mudando. Já se vê, com certa regularidade, a importação de móveis para as classes B e C", ressaltou Maristela. "Acho que está na hora de o Brasil pensar em criar mecanismos de proteção", complementou a presidente da entidade gaúcha. E motivos não faltam.
Importações
No primeiro bimestre deste ano, o Brasil importou US$ 70 milhões em móveis, o que representa elevação de 70% ante igual período do ano passado, de US$ 41,3 milhões. A trajetória ascendente iniciou em 2002, com US$ 15 milhões. Comparando fevereiro deste ano com fevereiro de 2007, a alta foi de 68,4% - US$ 32,9 milhões neste ano, ante US$ 19,9 milhões em 2007. Velocidade menor ocorreu com as exportações: cotejando fevereiro com fevereiro, a alta foi de apenas 16% (US$ 79,1 milhões neste ano, ante US$ 68,1 milhões em 2007). Nos primeiros dois meses, o crescimento foi de apenas 7,6%: US$ 141 milhões neste ano, ante US$ 131,7 milhões em 2007.
Guilherme Arruda
Fonte: www.gazetamercantil.com.br








