Fiesp cancela projeção para o ano que vem
Alegando a imprevisibilidade do cenário econômico em função da crise que abala o sistema financeiro internacional, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recusou-se a fazer perspectivas para o crescimento do País, para a atividade industrial, para o saldo da balança comercial e para o emprego industrial em 2009, como faz todos os anos em dezembro.
Tradicionalmente, no fim de cada ano, a entidade empresarial faz uma série de previsões sobre esses indicadores econômicos. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse haver a possibilidade de que esses números sejam calculados em janeiro, quando espera que os impactos da crise estejam mais claros para a indústria paulista.
Skaf afirmou que a entidade espera crescimento zero do PIB brasileiro no último trimestre de 2008 e um resultado negativo no primeiro trimestre do próximo ano. "A previsão para o quarto trimestre é de crescimento zero e não vemos razões para que isso seja diferente no primeiro trimestre de 2009. Há risco de recessão? Há, mas ela pode não ocorrer e não vamos contribuir divulgando essa possibilidade. A Fiesp se preocupa muito com a credibilidade do que fala", sustentou.
Informalmente, Skaf revelou que a maior parte das empresas trabalha com um crescimento do PIB em 2009 entre 2% e 3%. "O que posso afirmar é que o crescimento econômico e a balança comercial serão muito piores em 2009. Sentiremos saudades de 2008. Asseguro que não repetiremos esse resultado em 2009. Teremos um mínimo de superávit comercial ou até um déficit", explicou.
Skaf centrou a maior parte de suas críticas às atuais condições de crédito. Ele afirmou que, em um primeiro momento, o crédito sumiu; depois, voltou, mas com um custo muito elevado e insuficiente para a demanda das empresas, já que até grandes companhias foram obrigadas a tomar empréstimos volumosos no País pela dificuldade de captar recursos no exterior.
Ele protestou contra os juros cobrados para capital de giro, de 50% ao ano, ante uma inflação anual entre 6% e 6,5%. Segundo ele, as medidas do governo para liberar os compulsórios e irrigar o mercado não surtiram efeito. "Está provado que ter liquidez não significa ter crédito. Se as medidas adotadas pelo governo não foram tímidas, os resultados estão sendo tímidos, e são eles que interessam", disse.
Skaf cobrou também do governo uma intensificação dos mecanismos de defesa comercial do País. Ele espera uma "enxurrada" de produtos chineses no Brasil em 2009, já que o consumo nos Estados Unidos e na Europa vai diminuir.
Dono de uma das maiores siderúrgicas do País, o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, destoou do pessimismo em relação ao cenário econômico em 2009 demonstrado por Skaf. Sobre 2008, Steinbruch disse que o ano será encerrado como o melhor para o Brasil em termos políticos, econômicos e sociais, a despeito dos impactos da crise do sistema financeiro internacional no último trimestre.
Maioria dos empresários mantém confiança para 2009
O pessimismo demonstrado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, em relação ao cenário econômico de 2009 não parece ser compartilhado pelos empresários associados à entidade. A maior parte do empresariado mostra otimismo em relação a 2009, tanto para a economia brasileira quanto para seus negócios. Pesquisa realizada com 1.205 empresas do estado paulista entre os dias 30 de outubro e 18 de novembro mostrou que 36% dos consultados estão confiantes na economia brasileira, 17% estão satisfeitos e 13% estão otimistas. Os pessimistas somam 29% dos entrevistados.
Para a maioria dos empresários, as vendas em 2009 vão se manter estáveis (36%) ou aumentar até 15% (25%). Já 14% acreditam que as vendas aumentarão mais do que 15% e 22% acham que as vendas cairão até 15% ou mais. Os setores mais otimistas são os de alimentos e bebidas e papel e celulose. A rentabilidade deve ficar estável para 39% dos consultados, enquanto 31% acreditam que o rendimento aumentará e 29% esperam queda.
A maioria acredita que o emprego deve se manter (55%) em 2009. Para 20%, o nível vai aumentar e para 24% será menor. Os setores mais otimistas nesse sentido são os de máquinas e o de veículos e transportes.
Para 61% dos consultados, as exportações permaneceram iguais (50%) ou aumentaram (11%) nas últimas semanas e para 36% as vendas externas caíram. Para 40%, as exportações devem se manter no mesmo nível nos próximos dois anos; para 18%, devem aumentar; e para 26%, devem cair.
A maioria (45%) acredita que as importações devem permanecer estáveis em 2009; 23% acham que elas aumentarão e 30% esperam queda. A maior parte espera que o dólar atinja o patamar de R$ 2,00 até o fim de 2009, seguido pelos que acreditam (24%) que a moeda americana ficará em R$ 2,20.
Fonte: http://jcrs.uol.com.br








