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Financiar mobiliário é ‘exceção’ na crise

Linhas de crédito para aquisição de móveis embutidos e de periféricos para residência continuam com taxas atrativas.

Em meio às “intempéries financeiras” sentidas em todo o globo, a palavra de ordem é evitar os compromissos com pagamentos a longo prazo. Câmbio flutuante, juros elevados e, principalmente, incertezas, afastam consumidores de possíveis planos de crédito que, conseqüentemente, tornam-se mais difíceis - e caros - por parte dos estabelecimentos.

No entanto, o setor de mobiliário fixo, decoração ou melhorias no imóvel, ao menos de acordo com os números, ainda rema contra a atual maré econômica. Existente há cerca de seis anos, iniciado por meio de programa viabilizado pela Caixa Econômica Federal (CEF), esse tipo de crédito tem forte crescimento e, surpreendentemente, ao menos nessa instituição financeira sobe de maneira acelerada nos últimos 40 dias, justamente o período de maior turbulência no mercado financeiro mundial.

As linhas de crédito específicas para a aquisição de armários embutidos e materiais para construção utilizados em pequenas melhorias domiciliares, no caso da CEF, têm orçamentos com limite mínimo de R$ 1 mil e máximo conforme a capacidade de quitação comprovada pelo tomador do empréstimo. Contratações superiores a R$ 180 mil exigem apresentação de garantia real.

Outras instituições financeiras também oferecem essa linha de crédito, além dos próprios estabelecimentos que comercializam produtos e materiais específicos, mediante convênio que estabelecem com a CEF. A reportagem do JC entrou em contato com a assessoria de imprensa do Banco Real, uma das corporações financeiras que também atuariam nesse ramo. Entretanto, após dois dias, não houve resposta.

Incentivos

Relativamente pequena em comparação a outras modalidades de financiamento, a taxa de juros cobrada nessa linha de crédito pela Caixa Econômica Federal é de 1,69% ao mês. “Não é caro, diante das taxas observadas no País”, compara Adriana dos Santos Rosa Silva, gerente de agência da CEF em Bauru.

O banco registrou, somente entre janeiro e setembro deste ano, 912 empréstimos do gênero - num total aproximado de R$ 13 milhões - em toda a região da superintendência regional da instituição, localizada em Bauru.

Na cidade, de acordo com levantamento fornecido pela assessoria de imprensa do banco, foram 48 no mesmo período, sendo que o maior crescimento - ainda não contabilizado em números oficiais -, observa a gerente, é notado nos últimos 40 dias, devido a uma recente alteração nos termos do contrato.

“A demanda tem sido muito grande porque a Caixa alterou a regra que restringia a abertura de créditos apenas para clientes há no mínimo três meses”, detalha Adriana. “Os juros são mantidos com a mesma taxa. É um atrativo para quem quer montar sua casa em até 42 meses”, valoriza, salientando que clientes que possuem financiamento de imóveis no mesmo banco podem estender o plano de quitação para até 60 meses. “É uma linha de crédito específica para fomentar a economia”, diz a gerente.


Cautela

A facilidade apresentada no financiamento para móveis embutidos ou aquisição e construção de periféricos para a residência, como aquecedores solares, piscinas e até mesmo elevadores, entretanto, também deve ser assinada pelo cliente em total ciência de que o mesmo terá condições de arcar com o compromisso.

“Diante das taxas cobradas no Brasil, essa de 1,69% ao mês realmente não é cara”, observa o economista Reinaldo Cafeo em relação à operação oferecida pela Caixa Econômica Federal. “É interessante para quem quer fazer reformas ou pequenas melhorias e não tem recursos imediatos. No entanto, desde que o prazo de pagamento não seja muito extenso”, pondera.

O também economista Cleverson Antônio Moreira, especialista em orçamento doméstico, é outro que alerta sobre a importância de se estar atento aos encargos mensais, por mais baixos que pareçam ser.

“A taxa de 1,69% é baixa perto das outras, mas já é maior que a poupança, por exemplo, estimada em 0,5% ao mês”, compara o economista, recomendando ao cliente que, antes de firmar contrato com instituições ou lojas conveniadas, poupe o necessário para, ao menos, garantir uma boa entrada, evitando prazos muito longos. “O ideal é juntar 50% do valor antes de entrar no financiamento. É preciso aprender a economizar para poder ‘brigar’ na hora da compra”, ensina. 

Luiz Beltramin

Fonte:  www.jcnet.com.br


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