Fórum é marcado por tom de otimismo cauteloso e incertezas
Num clima de cauteloso otimismo, mais muita incerteza, o Fórum Econômico
Mundial começa hoje em Davos, reunindo 2.500 participantes, entre os
quais inúmeros presidentes de grandes empresas globais e muitos chefes
de governo. O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, ameaçou cancelar
sua participação na sessão de abertura, mas acabou confirmando. O motivo
da vacilação foi o atentado no metrô de Moscou na segunda-feira, que
matou 35 pessoas.
O tema oficial do Fórum Econômico Mundial este ano é "Normas
Compartilhadas para uma Nova Realidade", ou a tentativa de buscar
consenso para combater os grandes problemas globais num mundo cada vez
mais multipolar e com um número crescente de atores importantes, entre
os quais os países emergentes, como Brasil, China e Índia. Em Davos,
porém, os assuntos mais quentes surgem espontaneamente das discussões,
e, neste encontro, alguns candidatos são os riscos à retomada global,
como a alta inflacionária das commodities e o problema na Europa; o
poder crescente da Ásia; e as tensões sociais provocadas pelo aumento da
desigualdade, num momento em que o mundo rico passa por uma recuperação
sem emprego.
Como de hábito, a programação do Fórum está repleta de chefes de
governo: Medvedev; Nicolas Sarkozy, presidente da França; David Cameron,
primeiro-ministro do Reino Unido; Angela Merkel, primeira-ministra da
Alemanha; George Papandreou, primeiro-ministro da Grécia; Naoto Kan,
primeiro-ministro do Japão; Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia;
Felipe Calderón, presidente do México; Jacob Zuma, presidente da África
do Sul; e Morgan Tsvangira, primeiro-ministro do Zimbábue. Participarão
ainda os chefes de governo da Finlândia, Indonésia, Senegal, Etiópia,
Tanzânia, Quênia, Panamá e Noruega.
Na área econômica, o Fórum reúne as estrelas habituais, como Nouriel
Roubini, da New York University, Raghuram Rajan, da Universidade de
Chicago, Jeffrey Sachs, da Universidade Colúmbia, Kenneth Rogoff, de
Harvard, o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, Robert Shiller, de Yale, e o
investidor George Soros.
Brasileiros. A delegação do governo brasileiro é composta pelo ministro
das Relações Exteriores, Antonio Patriota; o presidente do Banco
Central, Alexandre Tombini; o presidente da Petrobrás, José Gabrielli; e
Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES).
Os organizadores do Fórum tinham certa esperança de atrair a presidente
Dilma Rousseff, para repetir, de certa forma, a vinda de Luiz Inácio
Lula da Silva ao encontro de 2003, com menos de um mês de mandato.
Agora, o Fórum não poupará esforços para que Dilma compareça ao encontro
regional da América Latina, no Rio de Janeiro, de 27 a 29 de abril.
Na
área empresarial, algumas das estrelas do Fórum são frequentadores
habituais, como Bill Gates, hoje mais dedicado à sua obra filantrópica
do que à Microsoft; Carlos Ghosn, chairman e principal executivo da
Renault-Nissan; e John Chambers, chairman e principal executivo da
Cisco.
Programação brasileira
Amanhã
Chanceler Antonio Patriota participa de debate sobre a AL
Dia 28
(1) Alexandre Tombini, presidente do BC, participa de painel sobre a
administração dos fluxos globais de capital. (2) O presidente do BNDES,
Luciano Coutinho, estará em debate sobre financiamento ao
desenvolvimento. (3) José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobrás,
participa de painel sobre o futuro da iniciativa privada
Dia 29
Brasil é tema de um painel com a presença de Tombini, Coutinho, do BNDES, e o presidente da Embraer, Frederico Curado.
Fonte: O Estado de São Paulo (26/1/2011)








