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Os Rumos do Comércio Exterior - 05/05/2006

Análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) indica forte aceleração do crescimento das importações, em ritmo maior que as exportações.

Os dados da balança comercial para os quatro primeiros meses desse ano indicam os rumos que o comércio exterior brasileiro já está trilhando sob o domínio do Real supervalorizado. A propósito, na última terça-feira o dólar registrou o seu menor valor frente à nossa moeda desde março de 2001, atingindo R$ 2,06. Os rumos são os seguintes:

      i) forte aceleração do crescimento das importações;

      ii) aumento muito maior dessas com relação às exportações;

      iii) grande predomínio das commodities no aumento dessas últimas.

O crescimento de 8,8% das importações entre março e abril (usamos os valores médios por dia útil, descontados os efeitos sazonais), assim como a evolução média mensal no último trimestre (fevereiro/abril), que foi de 3,5%, corroboram o primeiro ponto. Para se ter uma base de comparação, no caso das exportações esses percentuais foram de 3,5% e 0,9%. Ou seja, muito embora as exportações venham mantendo um certo dinamismo, são as importações que apresentam forte expansão.


Por outro lado, entre janeiro e abril de 2006 contra o mesmo período de 2005, os acréscimos de exportação e de importação de 16,5% e 24,6%, respectivamente, evidenciam que de fato está sendo processada uma inversão da tendência que prevaleceu até 2005, quando a evolução das vendas externas suplantava a das compras do exterior. Em 2005, por exemplo, os aumentos foram de 22,6% e 17,1% no primeiro e no segundo caso.

Por fim, é possível identificar apenas três produtos (petróleo e derivados, minério de ferro e soja em grão) como responsáveis por mais da metade (51,5%) do aumento de US$ 33,6 bilhões para US$ 39,2 bilhões (mais US$ 5,5 bilhões) das vendas externas entre 2005 e 2006 (períodos de janeiro a abril). Isso significa dizer que há uma acentuada dependência das exportações com relação a alguns poucos produtos e, muito em especial, aos preços de algumas commodities dentre elas petróleo e ferro.

Essas tendências são favoráveis ou desfavoráveis para a economia brasileira? Antes de qualquer outra consideração, convém sublinhar que em nenhuma hipótese haverá um colapso do saldo comercial brasileiro, cujo valor deve ser menor em 2006 com relação ao recorde de 2005 (US$ 44,8 bilhões), porém mantendo níveis ainda elevados (US$ 38 bilhões é uma estimativa razoável).

Quanto aos demais fatores, dependendo da situação podem ser favoráveis ou adversos. Em si, o crescimento acelerado das importações não é negativo, se decorre de mais investimentos na economia, o que faz elevar a demanda de bens de capital importado; ou se reflete uma maior produção doméstica, o que aumenta a compra de insumos e componentes importados; ou ainda se deriva de um nível superior de renda da população, o que amplia a procura por bens de consumo de fabricação externa.

Esses processos vêm ocorrendo, mas apenas em parte explicam os resultados das importações. Para quem tem os mais altos juros do mundo não há como evitar ter também uma das moedas mais valorizadas do planeta, como é atualmente o Real. Ou seja, um fator externo à dinâmica econômica, representado no câmbio artificialmente sobre valorizado, está influenciando o fluxo de importação.

Isso é particularmente grave quanto a bens de capital, cuja importação cresceu nada menos do que 30% nesses quatro primeiros meses de 2006, o que não é justificável tão somente pelo aumento dos investimentos na economia. A nosso ver, prepondera como causa a valorização da moeda, que torna o preço do maquinário importado muito mais barato do que o correspondente de produção interna. Ou seja, está havendo um deslocamento das compras que normalmente seriam dirigidas aos produtores nacionais de máquinas em condições mais equânimes, o que é prejudicial à economia brasileira.

Quanto ao predomínio das commodities na dinâmica de exportação, são duas as fontes de preocupação: primeiramente, caso permaneçam altos os seus preços de exportação, o que seria um fator altamente positivo para a balança comercial brasileira, isso pode concorrer para prolongar a sobrevalorização cambial e acentuar a desindustrialização da pauta exportadora; já na hipótese de queda de preços o receio é que isso leve a uma súbita retração das exportações globais do País.

Preservar minimamente o câmbio das influências conjunturais e executar políticas para incentivar a diversificação e a maior industrialização das exportações são as medidas cabíveis para evitar ou reduzir os possíveis impactos desses problemas.


Fonte: www.global21.com.br

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