IGP-M sobe 0,75% pressionado pelo preço dos alimentos
O resultado ficou abaixo do esperado, mas é a maior alta do 2º semestre.
O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) - que é usado, entre outras coisas, para o reajuste dos aluguéis - subiu menos do que o esperado no mês de novembro. Mas o grupo alimentação continua pressionando a inflação, tanto no atacado quanto no varejo. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o índice foi de 0,75% ante aumento de 0,47% em outubro. Os analistas ouvidos pela Agência Estado esperavam um resultado entre 0,80% e 0,86%.
Como o IGP-M é formado, em sua maior parte (60%), pelos preços no atacado, este setor acaba tendo influência maior sobre o resultado da inflação. Em novembro, o Índice de Preços no Atacado (IPA) subiu 1,02%, ante elevação de 0,65% em outubro. Na análise por produtos, os alimentos puxaram as altas mais expressivas no atacado em novembro: soja em grão (11%); milho em grão (13,78%); e arroz em casca (16,95%).
Além do IPA, o IGP-M também é formado pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC), com participação de 30% e 10%, respectivamente. Em novembro, o IPC apresentou avanço de 0,27%, ante alta de 0,10% em outubro. No varejo, a alta também foi puxada pelo preço dos alimentos. Já os grupos de Habitação (-0,13%); Vestuário (- 1,22%); Saúde e Cuidados Pessoais (- 0,2%); e Educação, Leitura e Recreação (- 0,12%) contribuíram para segurar a alta do IGP-M.
E o INCC registrou elevação de 0,23% ante avanço de 0,18% no mês anterior. De acordo com a Fundação, a aceleração de preços no setor foi influenciada pela elevação de preços mais expressiva em materiais e serviços, alta de 0,29% para 0,36%; e mão-de-obra, variação de 0,06% para 0,08%.
Alta mais forte do semestre
Apesar de ter ficado abaixo das expectativas, o índice de novembro apresenta a maior alta do segundo semestre deste ano. Nos primeiros seis meses de 2006, o IGP-M subiu mais forte no mês de janeiro, com alta de 0,92% e encerrou o primeiro semestre com alta de 0,75% em junho. No acumulado do ano, até este mês, o IGP-M subiu 3,5%.
Perspectivas
A FGV prevê um recuo na inflação de dezembro para um resultado entre 0,35% e 0,40%. De acordo com o coordenador de análises econômicas da Fundação, Salomão Quadros, o índice deverá fechar o ano em curso abaixo de 4,00%, algo entre 3,80% e 3,90%.
Ele acredita que o índice deverá desacelerar ao longo de 2007 para fechar o ano perto de 3,00%. "Não estou vendo pressão do câmbio e o comércio internacional está surpreendendo", diz. Ele cita como exemplo a importação de bens duráveis, calçados e vestuário para segurar preços.
Alessandra Saraiva
Fonte: www.estadao.com.br








