Indústria brasileira ganha força no primeiro trimestre
A indústria brasileira ganhou força no primeiro trimestre do ano, puxada principalmente pelo mercado interno.
A disposição de empresários indica que a recuperação pode continuar. Nesta sexta-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou sua pesquisa industrial referente a março, mostrando os melhores resultados em até duas décadas.
Durante a semana, entidades industriais de São Paulo informaram que a indústria na região acelerou o crescimento da produção em fevereiro. O dado sobre o Brasil será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima semana.
- A indústria está em um bom momento. A confiança do industrial está em um patamar elevado - afirmou Aloisio Campelo, economista da FGV.
- A indústria vem crescendo de forma lenta e gradual desde 2005. Houve uma parada no segundo trimestre de 2006 e uma recuperação no final do ano (passado), que está se acelerando neste começo de ano.
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 4,7% sobre fevereiro, para 115,8 pontos - o maior nível desde outubro de 2004. O componente sobre a situação atual também avançou para a melhor leitura desde outubro de 2004. O índice sobre a demanda interna subiu 5,3% ante fevereiro e alcançou o resultado mais alto desde abril de 1987.
A avaliação do industrial sobre as exportações melhorou: o componente de demanda externa teve a melhor leitura desde julho de 2004.
- Houve aceleração da demanda interna e da externa, seja por uma adaptação de alguns setores ao dólar (mais baixo) ou por setores beneficiados por alta de commodities - acrescentou Campelo.
- A demanda interna está se mantendo e a demanda externa está acelerando.
Os setores com maior aumento da confiança em março foram bens de consumo (+7,6%) e bens intermediários (+6,2%). Já o setor de bens de capital mostrou queda de 1,2% e o de material para construção, de 2,9%. Apesar das avaliações de melhora, a produção industrial brasileira deve mostrar recuo em fevereiro. A LCA Consultores prevê recuo de 0,2% frente a janeiro.
A consultoria ressaltou, no entanto, que o resultado pode ser influenciado pelo setor de refino de petróleo, que tem grande peso no índice e é difícil prever com exatidão. Na quinta-feira, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) divulgaram que a atividade industrial na região cresceu 1,2 por cento em fevereiro.
As entidades mostraram também um raro otimismo, deixando um pouco de lado as habituais críticas à política monetária para destacar a alta da indústria no mês.
- Em fevereiro, sazonalmente, a atividade costuma cair. Fevereiro deste ano mostra que a indústria está em um patamar ligeiramente superior ao que estava antes - afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Economia da Fiesp.
A sondagem da FGV sugere que a recuperação deve se manter. O índice de expectativas da indústria brasileira subiu 7,4% em março ante fevereiro, para o melhor nível desde abril de 2005.
Fonte: http://jbonline.terra.com.br/extra/2007/03/30/e300327329.html








