Indústria da Região Sul tem desempenho diferente da nacional
A economia da Região Sul está na contramão do desempenho econômico brasileiro, de acordo com os últimos dados conjunturais do País.
Uma análise realizada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS) mostra que, no período de 2005 e 2006, os três estados do Sul foram afetados negativamente por uma série de fatores, resultando em um cenário de retração conjunta na produção industrial. Em 2005, a indústria gaúcha teve queda de 3,5%; a catarinense cresceu 0,04%; e a paranaense, 1,3%. Nos primeiros cinco meses de 2006, em comparação com igual período do ano anterior, o desempenho industrial nos três estados caíram: no Rio Grande do Sul, -3,2%; em Santa Catarina, -0,7%; e no Paraná, -2,9%. Já no Brasil, a produção industrial cresceu 2,9% no período de janeiro a maio deste ano.
A estrutura produtiva na Região Sul é diferente da brasileira, o que explica as diferenças conjunturais. Os setores que mais têm contribuído para o crescimento observado na economia do País são refino de petróleo, celulose e papel, alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos e montagem de veículos. Juntos, representam 79% do Produto Interno Bruto (PIB) Industrial do Brasil, mas pesam somente 20% no PIB industrial da Região Sul. Já os setores de químico, couro e calçados, alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos e montagem de veículos, que contribuem para a queda no desempenho fabril dos três estados do Sul, representam 74% do PIB industrial da região e somente 21% do nacional.
É importante destacar que a característica dos setores de alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos e montagem e veículos é diferente nas regiões do país e na região em foco. No caso de alimentos e bebidas, a atividade de conserva de peixe e biscoito cresce no país, enquanto o de carne de frango e miudezas tem desempenho negativo nos três estados sulinos. No de máquinas e equipamentos, a fabricação de refrigeradores, congeladores e motoniveladores respondem pelo desempenho positivo no cenário nacional, mas as máquinas agrícolas e equipamentos para a indústria de celulose registram queda no Sul. Quanto à montagem de veículos, o resultado positivo no país ocorre em decorrência da fabricação de automóveis para passageiros e carrocerias de ônibus. Na Região Sul, o desempenho dos automóveis para passageiros é negativo, em especial pela redução nas exportações do Paraná.
A diferença nos resultados também está presente na análise da pauta das exportações. Os 13 principais itens da pauta da Região Sul, que representam 50% do total, acumulam queda de 6,7% no ano. Estes mesmos produtos correspondem a apenas 22% da pauta brasileira e registram crescimento de 9,6% nos cinco primeiros meses de 2006.
Como a estrutura produtiva no curto prazo não se modifica, a possibilidade é de que o PIB industrial na Região Sul deverá fechar 2006 em queda e também uma menor participação no do Brasil.
Fonte: www.fiergs.org.br








