Indústria descarta impacto negativo do fim de incentivos fiscais na criação de empregos
Montadoras deverão atingir nível pré-crise em julho; moveleiras vão contratar 10,4 mil
O fim do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) reduzido não será obstáculo para a criação de novos empregos na indústria automobilística e de móveis neste semestre. Entretanto, o ritmo de crescimento de vagas no setor no segundo semestre deverá ser um pouco menor do que nos primeiros seis meses do ano.
O último balanço oficial do governo federal apontou a geração de 1,473 milhão de postos de trabalho entre janeiro e junho. Para o segundo semestre, a expectativa é que sejam criadas mais 1 milhão de vagas - o que totalizaria 2,5 milhões de novos postos de trabalho.
O setor moveleiro, por exemplo, apesar do fim do IPI reduzido, será beneficiado por alguns programas do governo, explica o diretor da Abimovel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) Lípel Custódio.
- Programas como o Minha Casa, Minha Vida, incentivam a venda de móveis porque quem compra a casa precisa de equipamentos. Além disso, os grandes magazines [como Casas Bahia, Pão de Açúcar, Ponto Frio, Magazine Luiza, Ricardo Eletro, entre outros] têm oferecido muito crédito, o que impulsiona as vendas.
A Abimovel estima que o faturamento nesta área deverá crescer 10% e chegar a R$ 1,040 bilhão em 2010, e as 17 mil indústrias do setor deverão contratar 10,4 mil novos empregados durante o ano (uma alta de 4% em relação a 2009). As contratações deverão começar em outubro e novembro, quando chegam as novas encomendas para as fábricas.
O número pequeno tem explicação: a indústria segurou as demissões durante a crise financeira mundial porque a mão de obra desse segmento é muito especializada e a automatização é pequena, explica o diretor da Abimovel.
- Eu costumo brincar que não existe robô para fazer sofá. Tem que costurar, pinçar, colar, grampear, enfim. Por isso, resolvemos segurar os empregados na crise porque é uma mão de obra muito talentosa, que foi treinada, que recebeu um investimento da empresa.
Automóveis
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) não faz estimativas quanto à criação de novas vagas para o semestre, mas os dados da entidade mostram que as contratações deverão manter o ritmo de crescimento dos últimos meses.
Desde junho do ano passado, quando as fábricas registraram o menor nível de emprego durante a crise financeira mundial, com 119,5 mil trabalhadores, o setor acumula 12 altas consecutivas. Em junho deste ano, a entidade contabilizou 131 mil empregos diretos, número semelhante ao período anterior à crise financeira mundial, quando o nível de emprego chegou ao pico de 131,7 mil em outubro de 2008.
A entidade não confirma, mas é quase certo que o mês de julho já supere os empregos gerados no setor em 2008 - antes da crise. Isso por causa das exportações, sobretudo de caminhões, que no ano passado foram gravemente afetadas por causa da desconfiança do mercado externo.
No ano passado, as vendas de veículos produzidos no Brasil para outros países chegaram a 475 mil, segundo a Anfavea. Para este ano, a previsão inicial era de aumento de 12%, o que elevaria as vendas para 530 mil unidades.
Entretanto, só no primeiro semestre deste ano, a entidade contabilizou a venda de 357,5 mil unidades para outros países – alta de 78% em relação ao mesmo período de 2009. Por isso, a previsão inicial de exportações deverá ser revista para cima.
O fim da redução do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) que vigorou até 31 de março deste ano e que estimulou as vendas domésticas não deverá impactar negativamente o nível de emprego no período. Isso porque o aumento da procura do mercado externo deverá compensar as vendas, o que vai obrigar as fábricas a ampliar o quadro de funcionários para dar conta dos pedidos.
No ano passado, 3,14 milhões de veículos foram produzidos no Brasil, segundo a Anfavea. Para este ano, a previsão é chegar aos 3,39 milhões.
Fonte: http://noticias.r7.com/ (02/08/2010)








