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Indústrias ainda não se recuperaram da crise

Madeira, móveis, couros e calçados foram os segmentos que se reconheceram como os mais atingidos.

Mais da metade das indústrias brasileiras (59%) ainda não se recuperaram dos efeitos da crise econômica mundial. Esse dado consta na Sondagem Especial - A Indústria Antes e Depois da Crise - divulgada, ontem (23/9), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Apesar da economia brasileira vir colecionando diversos índices positivos, especialmente neste ano, nem todos os setores estão conseguindo desfrutar do clima de euforia.

Tal discrepância, segundo a CNI, ocorre porque os problemas decorrentes da crise afetaram setores específicos, principalmente, aqueles dependentes do mercado externo. Madeira, móveis, couros e calçados foram os segmentos que se reconheceram como os mais atingidos.

O câmbio impactando negativamente no volume de produtos exportados e a consequente dificuldade de acesso ao crédito são os principais obstáculos para a retomada das indústrias em dificuldade no país.

“O crédito voltou à normalidade para quem voltou à normalidade, mas para os setores que permanecem com problemas de caixa, só diminuiu o acesso a financiamentos”, explica o gerente executivo de políticas econômicas da CNI, Flávio Castelo Branco.

De acordo com o levantamento da CNI, entre as empresas que não retomaram o padrão normal de investimentos e que buscaram crédito, 59% afirmou estar mais difícil o acesso após 2008. Já entre aquelas que conseguiram recuperar o mesmo nível de investimentos, 27% declarou isso.

No quesito exportações, 51% das empresas que exportam reconhecem que a demanda externa é menor do que antes da crise. “Quando pegamos as notícias boas sobre o desempenho da indústria brasileira, observamos apenas a média, porém, algumas empresas grandes acabam absorvendo os resultados ruins de outras”, ressalta Branco.

Para ele, o governo deve dedicar uma atenção especial a esses segmentos com problemas. “A CNI já vem buscando alertar o Ministério da Fazenda sobre a necessidade de criar meios de melhorar a competitividade desses setores, bem como elaborar mecanismos de incentivos via tributação e via o desenvolvimento de linhas de crédito específicas”, revela Branco.

Do total de empresas ouvidas pela pesquisa, 72% responderam que foram afetadas pela crise. Dos 27 setores da indústria de transformação analisados, 20 avaliaram que os impactos da crise ainda não foram totalmente superados. A sondagem foi realizada de 30 de junho a 20 de julho deste ano, com 1.353 empresas, das quais 771 pequenas, 393 médias e 189 de grande porte.

Outros resultados

De acordo com o estudo da CNI, para 68% das empresas que sentiram os efeitos negativos da crise, a demanda interna é maior hoje ou permanece inalterada em relação à fase pré-crise, enquanto que para 32% o mercado doméstico se reduziu.

Outros dados que constam na sondagem destacam que a produção aumentou ou permanece a mesma para 63% das empresas e diminuiu para 36% delas. Já em relação ao número de empregados, 69% responderam que houve crescimento ou se manteve estável, enquanto que para 27% houve redução.

Fonte: www.parana-online.com.br - 24/9/2010

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