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Investimento cresce 7% no ano, diz Ipea

Expansão entre janeiro e maio de 2005 havia sido de apenas 0,3%; importação de máquinas e equipamentos sobe 29%.


Na mesma trajetória do primeiro trimestre, os investimentos na economia continuaram acelerados, atingindo um crescimento de 7% no acumulado de janeiro a maio de 2006. É o que mostra estimativa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). No mesmo período de 2005, a expansão havia sido de apenas 0,3%.

Um dos itens que mais puxaram os investimentos foi a importação de máquinas e equipamentos, que cresceu, em volume, 29% no acumulado de 2006. Trata-se, segundo especialistas, de um efeito provocado pelo câmbio, que barateou os bens de capital importados.

 Segundo o Ipea, também cresceram a construção civil (5,3%) -medida por meio da fabricação de insumos do setor, como cimento- e a produção doméstica de máquinas e equipamentos -4,7%.

As previsões confirmam a tendência de expansão do primeiro trimestre, quando os investimentos cresceram 9% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados do PIB (Produto Interno Bruto), calculado pelo IBGE.

Para Estevão Kopschitz, economista do Ipea, o avanço dos investimentos é resultado direto da desvalorização do dólar, que, por um lado, barateia importações e, por outro, desestimula as exportações de bens de capital. É que as vendas ao exterior contribuem negativamente para o investimento, já que as máquinas e equipamentos saem do Brasil, constituindo investimento em outro país.

"É natural que, com uma taxa de câmbio menor, haja um aumento das importações de máquinas e equipamentos", concorda Alex Agostini, economista da consultoria Austin Ratings.

A economista-chefe da Mellon Global Investments, Solange Srour, avalia que o câmbio favorável às importações de bens de capital amplia a capacidade de oferta da economia, afastando a possibilidade de pressões inflacionárias provocadas por um estrangulamento da produção.

Capacidade instalada

Prova disso, diz, é que a utilização da capacidade instalada das indústrias se mantém em níveis confortáveis apesar do crescimento econômico registrado neste ano. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a utilização da capacidade instalada atingiu 81,1% em abril, contra 80,8% de março. Para a CNI, o indicador tem se mantido estável nos últimos meses na faixa de 81% -somente acima de 85% indica uso excessivo e possíveis gargalos na produção.

"O Brasil está aproveitando essa oportunidade para melhorar sua capacidade de produção. Esse é um efeito positivo do câmbio", diz a economista da Mellon.

Para Agostini, a tendência de expansão dos investimentos é sustentável e não corresponde a mais um "soluço" da economia brasileira. "Os investimentos entraram em um ciclo sustentável" graças, segundo ele, à "maior previsibilidade" da economia brasileira, que decorreu da estabilidade monetária (inflação sob controle) e da redução das vulnerabilidades externa e interna -menor risco de não-pagamento da dívida.

 Solange Srour afirma ainda que o menor nível de incertezas, proporcionado pela estabilidade política que não se repete em outros países da América Latina, também gera um ambiente mais propício aos investimentos.

Com tal cenário, a Austin prevê um incremento de 7% nos investimentos no primeiro semestre. Para o ano de 2006, a estimativa é de expansão de 6%. Já a Mellon projeta crescimento de 7% no segundo trimestre deste ano -menos do que os 9% dos três primeiros meses do ano. "O investimento será certamente um dos principais fatores que puxarão o PIB neste ano", diz Srour.

Segundo projeção da Austin, a taxa de investimento em relação ao PIB chegará ao final do ano em 20,5% -em 2005, ficou em 19,4%.

Professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o economista Antonio Carlos Pôrto Gonçalves faz, porém, uma ressalva. Diz que faltam investimentos públicos, especialmente em infra-estrutura, para promover as aplicações do setor privado. "É o investimento público que dita o ritmo."

Fonte: Folha de São Paulo

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