Investimentos estrangeiros no Brasil sofreram queda de 17%
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (16/10) pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
Enquanto o fluxo de investimento no mundo cresce e os países emergentes recebem mais recursos, o Brasil apresenta uma tendência contrária. Dados divulgados nesta segunda-feira pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) revelam que os investimentos estrangeiros diretos no Brasil sofreram uma queda de 17% entre 2004 e 2005, um dos piores desempenhos da América Latina, e que, para este ano, a redução deve ser de 2%.
Depois de atrair US$ 18 bilhões em investimentos diretos em 2004, o Brasil reduziu o volume para US$ 15,1 bilhões no ano passado e, para este ano, a ONU estima que feche em US$ 14,8 bilhões. Parte da queda ocorreu porque em 2004 foi incluída no cálculo a aliança da Ambev com investidores belgas. Mesmo assim, a queda ocorre em um momento em que os investimentos globais se recuperam. Entre 2004 e 2005, o aumento internacional foi de 29%, contra mais de 20% previsto para este ano. Nos demais países emergentes, a tendência é de forte alta: crescimento médio de 22% em 2005.
No ranking global, o Brasil ainda aparece na 14ª colocação e sendo o segundo maior destino na América Latina, superado apenas pelo México e recebendo 15% do que é enviado à região. Mas, em volume, o País fica cada vez mais distante dos asiáticos, como Cingapura, Hong Kong e, principalmente, da China. Em 2000, por exemplo, o País havia atraído US$ 34 bilhões, contra US$ 41 bilhões da China. Em 2005, Pequim já se tornou o terceiro maior receptor de investimentos do mundo, com US$ 72 bilhões. O fluxo foi cinco vezes maior que o do Brasil.
"Com um PIB (Produto Interno Bruto) do tamanho do Brasil e com seus recursos naturais, o País está abaixo de seu potencial de atração de investimentos", afirmou Anne Miroux, chefe da Divisão de Investimentos da ONU e autora do relatório. "Vemos esforços menos estruturados no Brasil para obter investimentos que em regiões como a Ásia", afirmou.
Para a analista da ONU, Nicola Moussa, existem diferenças "qualitativas" entre as estratégias do Brasil e da Ásia na obtenção de investimentos. Segundo ela, os asiáticos investiram em educação, o que lhes proporcionou a chegada de investimentos no setor de tecnologia. De fato, a Ásia somou em 2005 US$ 165 bilhões em investimentos estrangeiros, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Além do setor de serviços financeiros, os recursos foram também em projetos na Intel e da Airbus na China.
Um dos obstáculos para o investimento no Brasil pode ter sido a baixa taxa de crescimento da economia, além da apreciação do real. Segundo a ONU, a moeda forte pode ter tido um impacto negativo em empresas que pretendiam investir no País para exportar. "A apreciação de moeda local (real) está tendo um impacto para as companhias que investiram em capacidade exportadora", afirmou o documento, que ainda lembra que alguns negócios prometidos, como a criação de uma metalúrgica pelos chineses no valor de US$ 2,4 bilhões foi "adiada indefinidamente".
Para ler a notícia na íntegra: http://www.estadao.com.br/ultimas/economia/noticias/2006/out/16/168.htm








